A unidade da Maple Bear em Três Lagoas, que completou seu quinto ano de funcionamento, atende cerca de 170 alunos com um método de ensino bilíngue fundamentado na pedagogia canadense. Em conversa para o quadro A Casa é Sua, exibido no programa TVC Agora, da TVC HD Canal 13.1, a gestora Uleima Domingues detalhou a abordagem da escola para o aprendizado de inglês e português, os planos de crescimento para os próximos anos e o esforço em conciliar o rendimento acadêmico com o desenvolvimento humano dos estudantes.
Conforme Uleima, a metodologia canadense se distingue do padrão convencional ao posicionar o estudante como protagonista do próprio aprendizado. Em vez de apenas absorver informações, as crianças são incentivadas a construir seu conhecimento, realizar pesquisas, consultar materiais didáticos disponíveis e cultivar a autonomia.
“A parede é o terceiro professor”, afirmou a mantenedora, elucidando que todo o conteúdo ensinado permanece visível e acessível na sala, permitindo que os alunos revisitem as informações de forma independente.
A instituição acolhe alunos a partir dos 2 anos. Na fase da educação infantil, até os 4 anos, o ensino em sala de aula é integralmente ministrado em inglês. No ano final dessa etapa, a proporção muda para 75% em inglês e 25% em português, momento em que a alfabetização é estrategicamente iniciada.
Uleima esclareceu que a alfabetização ocorre simultaneamente em inglês e português. Devido a essa abordagem bilíngue desde o início, o processo pode demandar um período um pouco maior, mas alinha-se à meta de formar alunos fluentes nos dois idiomas.
Atualmente, a escola atende crianças até os 10 anos e introduzirá o 6º ano no próximo período letivo. A equipe é composta por 58 colaboradores, sendo aproximadamente 40 a 42 deles professores, segundo dados fornecidos pela mantenedora na entrevista.
A introdução do 6º ano será realizada na estrutura atual, utilizando a última sala disponível. Contudo, para o ano de 2028, está planejada a construção de uma nova edificação adjacente à escola, que abrigará o 6º e o 7º anos.
Com a concretização da expansão, o edifício existente será dedicado à educação infantil e aos anos iniciais do ensino fundamental. A nova construção, por sua vez, concentrará os anos finais do fundamental e, posteriormente, o ensino médio.
A estratégia de crescimento reflete a evolução da própria rede na localidade. Leyma ressaltou que Três Lagoas acolheu positivamente a metodologia, mesmo ela se diferenciando da abordagem pedagógica tradicional predominante em diversas escolas.
“Você não possui mais o primeiro celular que comprou, sua televisão não é a mesma, tudo evolui. Como a educação não acompanharia essa mudança?”, questionou a gestora.
A Maple Bear oferece aulas nos períodos matutino e integral. Embora as turmas vespertinas sejam menores, o período integral é de grande relevância para a rotina escolar, conforme Uleima, principalmente em uma cidade com forte presença da indústria de celulose, atraindo famílias que se mudam e buscam suporte.
Durante o período integral, os alunos desfrutam de diversas atividades, incluindo judô, futebol, capoeira, balé, jazz, xadrez e ioga. Adicionalmente, é oferecido acompanhamento pedagógico, permitindo que os estudantes do ensino fundamental realizem suas tarefas na própria escola, otimizando o tempo de permanência.
Para Uleima, essa assistência pedagógica integrada evita que a criança, após um dia completo na escola, ainda tenha que se dedicar a atividades escolares em casa, durante a noite.
A mantenedora enfatizou a importância da presença de especialistas do Canadá para preservar a essência “canadense” da instituição. A escola recebe treinadores canadenses duas vezes ao ano, uma em cada semestre, e eles permanecem por 15 dias em cada ocasião.
Nesse período, os especialistas observam as aulas dos docentes, conduzem treinamentos e supervisionam o desenvolvimento da equipe. Anualmente, outro profissional canadense realiza uma inspeção na unidade. Adicionalmente, treinadores especializados em português visitam a escola duas vezes por ano.
Quando a unidade alcançar o ensino médio, os alunos deverão obter um diploma duplo, brasileiro e canadense, conforme detalhou Uleima. Ela explicou que o diploma canadense será reconhecido por universidades em países como África, Estados Unidos e Reino Unido.
A gestora mencionou instituições de renome como MIT, Harvard, Stanford, Cambridge e Oxford ao discutir as oportunidades que a certificação internacional proporciona. Ela também reforçou que a escola prepara os estudantes para os exames vestibulares brasileiros.
“É fundamental ressaltar que também preparamos nossos alunos para os vestibulares aqui no Brasil”, salientou.
Crianças em faixas etárias mais avançadas, como alunos de 9 ou 10 anos, podem ser admitidas na escola mesmo sem proficiência prévia em inglês, mediante um processo seletivo. Uleima informou que a avaliação compreende etapas escrita e oral, exigindo uma pontuação mínima para aprovação.
Caso o estudante não atinja o desempenho esperado, a escola orienta sobre recursos e profissionais que podem auxiliar no aprendizado do idioma inglês. Posteriormente, o aluno tem a possibilidade de refazer o teste a cada 60 ou 90 dias, dependendo do resultado inicial.
De acordo com Uleima, esse percurso de aprendizado costuma ser ágil, visto que as crianças, nessa idade, possuem uma elevada capacidade cognitiva, absorvendo novos conhecimentos mais rapidamente que os adultos.
Além da abordagem bilíngue, Uleima defendeu a importância de a escola considerar o aluno de maneira integral. Ela enfatiza que, embora o desempenho acadêmico, a participação em olimpíadas, as provas e a preparação universitária sejam cruciais, eles não devem suplantar a formação humana.
A mantenedora fez referência ao debate entre hard skills e soft skills para ilustrar que, frequentemente, indivíduos são contratados por suas competências técnicas, mas desligados devido à deficiência em inteligência emocional. Neste contexto, ela destacou que a escola adota a disciplina positiva, uma pedagogia respeitosa que, segundo ela, não se equipara à permissividade.
“A disciplina positiva tem a palavra disciplina antes da palavra positiva”, enfatizou.
Uleima reforçou que a proposta visa conceder liberdade com responsabilidade aos alunos. Para ela, uma instituição de ensino com foco humanizado é igualmente capaz de preparar o estudante para vestibulares, universidades e para a contínua busca por conhecimento ao longo da vida.