Artesã utiliza folhas da erva-mate para criar peças de argila que representam os trabalhadores da colheita
Há 15 anos, Solange da Silva Santos Francisco, professora de artes visuais, encontrou no artesanato sua forma de expressão. Ao substituir o biscuit pela argila, há quatro anos, descobriu um meio de narrar histórias, especialmente as de sua cidade natal, Caracol.
Atualmente, entre suas obras que retratam a fauna pantaneira e figuras regionais, o "ervateiro" se destaca. Essa peça resgata a memória do ciclo econômico e cultural da erva-mate, um período importante no sul de Mato Grosso do Sul entre o final do século XIX e meados do século XX.
Cada detalhe da escultura possui um significado, desde o saco pesado nas costas até o sapato feito de pneu e a proteção contra picadas de animais. A inspiração vem dos relatos e da memória coletiva de Caracol, outrora um grande produtor de erva-mate.
"Eles colhiam os galhos, carregavam grandes sacos e os armazenavam. O pagamento era por quilo, um trabalho muito árduo", relata a artesã.
A própria matéria-prima reforça a ligação com a história. As peças incorporam folhas de erva-mate coletadas na cidade, onde ainda se encontram árvores preservadas nos quintais de antigos moradores.