A maioria dos candidatos aos cargos de deputado federal e estadual ainda não divulgou suas propostas sobre como pretendem legislar ou defender a sociedade, caso sejam eleitos. O período das campanhas eleitorais, notavelmente, encurtou nas duas últimas eleições. Se antes era de aproximadamente 90 dias, nesta eleição a campanha só é permitida após as convenções partidárias. Faltando pouco menos de 60 dias para as eleições de 4 de outubro, o eleitorado ainda desconhece a maior parte dos candidatos de representação proporcional e suas intenções, caso eleitos.
Para os cargos do Poder Executivo, devido ao menor número de candidatos para as esferas federal e estadual, ainda é possível identificar a maioria deles e algumas de suas propostas, embora estas ainda não sejam totalmente convincentes para a efetivação do voto. Geralmente, os candidatos à reeleição levam vantagem, sejam eles líderes da administração dos Poderes Executivos ou no exercício de mandato nas Assembleias Legislativas, Câmara Federal e Senado da República. O horário eleitoral gratuito nunca foi atrativo, tanto no rádio quanto na televisão. Isso ocorre porque são tantos os candidatos que o tempo destinado à propaganda de cada um é de praticamente alguns segundos.
Contudo, o tempo dedicado aos candidatos a cargos executivos varia de acordo com o tempo agregado ou somado em função do número de partidos políticos ou federações partidárias coligadas. Diante desse cenário, a campanha eleitoral na disputa de cargos proporcionais se concentra praticamente no contato direto (corpo a corpo), considerando a capacidade de mobilização de cada candidato. Portanto, a escolha de candidatos ao legislativo torna-se, para a maioria do eleitorado, um "tiro no escuro", a menos que o eleitor faça uma seleção criteriosa entre os pretendentes à representação legislativa. Estamos diante de mais uma eleição, desta vez mais polarizada do que nunca para o cargo de presidente da República, com fortes contestações pontuadas por acontecimentos e circunstâncias, se considerarmos o caráter ideológico do eleitor ou o cenário socioeconômico.
O fato é que existe um desejo generalizado por uma gestão pública focada no controle de gastos e na melhor distribuição de renda, quesitos que, quando observados, melhoram a qualidade de vida dos cidadãos e do empresariado. A certeza que todos temos é que as eleições de outubro serão realizadas sob o prisma da legislação eleitoral de maneira transparente e revestidas de ampla liberdade de escolha e legalidade do pleito. Como o horário eleitoral disponibilizado será de apenas 45 dias e é dividido de forma proporcional ao número de deputados federais eleitos em 2022 pelos partidos e federações que compõem cada candidatura, um candidato poderá ter mais tempo que os demais. E é justamente nesse horário que o eleitor, ávido por uma boa escolha, terá a oportunidade de fazer uma decisão consciente, sem influência de cabos eleitorais, compadres e amizades, identificando propostas de trabalho tanto para o Poder Executivo quanto para o Legislativo que estejam de acordo com seu pensamento e propósito.
Enquanto o horário eleitoral não começa, o melhor que cada um pode fazer é aguardar o momento ideal para encontrar o candidato que atenda às suas expectativas. Mais ainda, torcer para que o escolhido não se inebrie com o poder nem cometa desvios que a boa moral e conduta desaconselham. Enfim, ao eleitor resta torcer para que seu candidato exerça a função com ética, decoro e capacidade de compreender as aspirações populares, já que esses requisitos representam o mínimo de conduta no exercício da função pública que se espera do escolhido investido na representação popular.