Aumento de Atendimentos Preocupa CRAM de Três Lagoas
Com a aproximação do Dia Internacional da Mulher, a discussão sobre a violência contra a mulher ganha destaque no país. A data serve para refletir sobre os desafios persistentes, como a violência doméstica e a necessidade de fortalecer as políticas de proteção e acolhimento.
Em entrevista à 96 Caçula, a psicóloga Leila Alba e a assistente social Ana Carolina Lima, do CRAM de Três Lagoas, ressaltaram o trabalho realizado ao longo do ano, com ações de prevenção e orientação às mulheres em situação de violência.
Leila Alba explicou que o objetivo do centro é oferecer apoio emocional e ajudar as mulheres a romper o ciclo da violência. “O CRAM é um local de acolhimento. A mulher chega fragilizada, e nosso trabalho é caminhar junto com ela e ajudá-la a ressignificar essa situação”, explicou.
A psicóloga também mencionou que muitas vítimas não percebem que vivem em um relacionamento abusivo, devido ao ciclo da violência. “Muitas mulheres chegam sem perceber a dependência emocional. A violência começa sutilmente e aumenta com o tempo. Nosso papel é ajudar a identificar esse processo”, afirmou.
Aumento na Procura por Atendimento
De acordo com Ana Carolina Lima, o CRAM tem registrado um aumento significativo na procura por atendimento nos últimos meses. “Tivemos um aumento que nos surpreendeu. Reorganizamos nossa forma de atendimento e ampliamos a equipe para acolher melhor essas mulheres”, destacou.
A profissional explica que muitas vítimas chegam ao CRAM encaminhadas pela DAM, após registrar boletim de ocorrência. No entanto, o atendimento também pode ocorrer por demanda espontânea. “O primeiro passo é o acolhimento. Essa mulher precisa ser ouvida. Oferecemos escuta qualificada e encaminhamentos”, disse.
Segundo Ana Carolina, a maioria das mulheres atendidas tem entre 25 e 50 anos, embora o serviço também atenda jovens e idosas.
Rede de Apoio e Acompanhamento
Após o primeiro atendimento, as mulheres podem receber acompanhamento psicológico e social. O suporte inclui orientações jurídicas e apoio emocional. “Dependendo da situação, acompanhamos essa mulher por até seis meses. Cada caso é único. O importante é que ela saiba que existe uma rede de apoio preparada para ajudá-la”, explicou a assistente social.
Além do atendimento direto, o CRAM também desenvolve ações educativas em escolas e instituições, com o objetivo de conscientizar a população e reduzir os casos de violência.
Prevenção Como Principal Caminho
Para Leila Alba, combater a violência contra a mulher exige mudanças culturais e ações preventivas, por meio da educação. “A prevenção é fundamental. Precisamos falar sobre respeito e igualdade desde cedo. Quando trabalhamos com jovens e crianças, estamos ajudando a construir uma sociedade mais consciente”, afirmou.
As profissionais ressaltaram a importância da denúncia e da participação da sociedade na proteção das vítimas. Segundo elas, muitas situações de violência poderiam ser interrompidas mais cedo se familiares, amigos ou vizinhos buscassem ajuda.
O CRAM de Três Lagoas funciona de segunda a sexta-feira, oferecendo atendimento gratuito para mulheres em situação de violência, com equipe formada por profissionais de psicologia, serviço social e orientação jurídica.