Participação Feminina na Política em Debate no Dia Internacional da Mulher
No domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a igualdade de direitos passa pela participação feminina na política. Em Três Lagoas, a presença das mulheres no Legislativo municipal mostra um cenário de redução.
Redução na Representatividade Feminina
A participação feminina na política brasileira avança lentamente. Apesar das políticas de incentivo e cotas partidárias, a presença em cargos eletivos é menor que a proporção de eleitoras. Em Três Lagoas, ampliar a representatividade feminina é um desafio. Em 1997, o município teve uma das câmaras com maior presença feminina no país, com oito mulheres. Atualmente, são apenas três vereadoras, menos que as cinco da legislatura passada.
A vereadora Evalda Reis lamenta a redução, que ocorre também em nível nacional. Ela destaca que existem mulheres capacitadas, mas com dificuldades para ingressar na política.
A vereadora defende maior participação feminina nas decisões, afirmando que a presença das mulheres contribui para ampliar o olhar sobre as políticas públicas.
Embora as mulheres representem a maioria do eleitorado, a presença nos cargos políticos é baixa. Em Mato Grosso do Sul, elas são cerca de 52% dos eleitores, mas ocupam poucos postos de liderança. Atualmente, o Estado tem sete prefeitas, três deputadas estaduais, uma deputada federal e duas senadoras.
Mesmo com a exigência legal de reserva de 30% das candidaturas para mulheres e destinação de recursos para campanhas femininas, os índices de representação estão abaixo do esperado nas esferas municipal, estadual e nacional.
Para Evalda Reis e a vereadora Sirlene dos Santos, além de políticas de incentivo, é necessário investimento e oportunidades para fortalecer as candidaturas femininas dentro dos partidos. Sirlene destaca o trabalho das três vereadoras, mas acredita que o Legislativo poderia contar com uma representatividade feminina maior.
Fatores Estruturais e Desigualdade de Gênero
Estudos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul apontam que a baixa participação feminina na política está relacionada a fatores estruturais da sociedade. A sobrecarga de trabalho doméstico e de cuidados recai sobre as mulheres, limitando a disponibilidade para a vida pública.
Dados do IBGE mostram que as mulheres dedicam, em média, entre oito e dez horas a mais por semana do que os homens em atividades domésticas não remuneradas.
Segundo Patrícia Helena Milani, especialista em geografia urbana e questões de gênero da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, a desigualdade se reflete nos espaços de liderança.
De acordo com ela, cerca de 30% dos cargos de liderança no país são ocupados por mulheres. A pesquisadora destaca que a maior carga de trabalho doméstico e de cuidados impacta diretamente a participação feminina na vida pública e nas posições de comando.
No mês do Dia Internacional da Mulher, os dados reforçam que ampliar a presença feminina na política e em cargos de liderança continua sendo um desafio e um passo importante para fortalecer a representatividade nas decisões públicas.