Hiliene Queiroz, diretora da Qualits, concedeu entrevista à RCN para falar sobre as recentes mudanças na NR-1 e a crescente importância da saúde mental no ambiente de trabalho. A matéria foi ilustrada com uma foto de Reprodução/TVC HD.
A segurança do trabalho nas empresas deixou de ser vista unicamente como uma questão física, passando a exigir atenção direta aos fatores que impactam a saúde mental, o comportamento e a forma como as pessoas interagem no ambiente profissional. Em entrevista ao programa RCN Notícias, da TVC HD Canal 13.1, Hiliene Queiroz, diretora da Qualits, ressaltou que a atualização da NR-1 amplia a prevenção ao incorporar os riscos psicossociais na gestão de saúde e segurança ocupacional.
De acordo com Hiliene, a norma, em vigor desde 1978 e constantemente atualizada, prevê uma mudança significativa para 26 de maio de 2026: as empresas deverão ir além da medição de riscos físicos, avaliando também aqueles relacionados à organização do trabalho, às pressões emocionais e à dinâmica entre colaboradores, liderança e o ambiente corporativo.
A diretora defendeu que essa alteração reflete uma realidade que já se manifesta no dia a dia das empresas. Para ela, os desafios da vida moderna se estendem ao local de trabalho, afetando diretamente a produtividade, a retenção de talentos e a segurança das operações.
“Empresas são feitas de pessoas. Se as pessoas estão adoecendo, precisamos olhar para esse adoecimento”, pontuou.
Hiliene Queiroz explicou que o primeiro passo para as empresas deve ser a aplicação de um diagnóstico a fim de identificar a quais riscos cada função está exposta. Com base nesse levantamento, os dados precisam ser integrados ao PGR, o Programa de Gerenciamento de Riscos, que já é uma ferramenta consolidada nas organizações.
Após essa fase, são implementadas ações práticas, como o estabelecimento de canais de escuta ativa, intervenções específicas no ambiente e, crucialmente, o treinamento de lideranças. Para Hiliene, este último ponto é decisivo, pois o líder é um agente da cultura da empresa e influencia diretamente a maturidade do ambiente de trabalho.
Ela sintetizou a mudança como uma integração entre as pessoas e a organização do trabalho, e não como uma avaliação psicológica individual ou a mera presença de um psicólogo na empresa.
Hiliene afirmou que fatores como estresse, pressão excessiva, fadiga e problemas emocionais podem aumentar o risco de acidentes. Segundo ela, a ausência de uma gestão eficaz da relação entre pessoas, processos e ambiente resulta em perdas significativas para as organizações.
A especialista associou ambientes psicologicamente mais seguros à redução do absenteísmo, dos custos e do retrabalho, ao mesmo tempo em que enfatizou que uma comunicação mais assertiva e lideranças maduras tendem a impulsionar a produtividade. Ela também conectou ambientes tóxicos, assédio moral e uma gestão emocionalmente imatura ao aumento de afastamentos e de disputas trabalhistas.
Hiliene mencionou que, em 2025, cerca de 500 mil pessoas se afastaram do trabalho por questões de saúde mental, como depressão e ansiedade. Para ela, o Brasil ainda não desenvolveu uma cultura de prevenção nessa área, o que reforça a relevância da atualização da norma.
A diretora acrescentou que empresas com uma gestão mais sustentável já vinham abordando essa temática antes mesmo de se tornar uma exigência formal. Segundo ela, a Qualits atua há mais de seis anos com trabalhos focados em educação emocional, o que evidencia que parte do mercado já reconhecia a necessidade de cuidar do ambiente psicológico.
“A nova NR-1 não é modismo corporativo, mas uma oportunidade para as empresas tornarem a gestão mais sustentável”, declarou.
Hiliene destacou ainda que os negócios dependem fundamentalmente das pessoas e que trabalhadores emocionalmente adoecidos impactam as entregas, os resultados e o clima interno. Para ela, a norma impulsiona uma discussão que já deveria ser parte integrante da estratégia das empresas.
A Qualits, conforme Hiliene, tem 11 anos de atuação no mercado, tendo iniciado com treinamentos voltados ao setor de segurança do trabalho. A empresa passou a integrar a neurociência após constatar, segundo a diretora, que 90% dos acidentes de trabalho têm origem em questões comportamentais.
Com base nessa percepção, a empresa desenvolveu o conceito de segurança emocional, denominado Neuro Safety. A proposta central é que o cérebro responde a estímulos emocionais, que, por sua vez, se manifestam em comportamentos, comunicação e decisões no ambiente profissional.
Nessa perspectiva, a Qualits criou o Neurolíder, um programa de desenvolvimento de competências para lideranças. A iniciativa combina competência técnica e emocional, com foco em comunicação eficaz, escuta ativa, maturidade e capacidade de guiar equipes em ambientes mais saudáveis.
Ao abordar os prazos, Hiliene enfatizou que as empresas devem implementar as mudanças de imediato. Ela alertou que já existem notificações, multas e casos em que ações trabalhistas levaram fiscais a exigir diagnóstico e plano de ação relacionados à NR-1.
A diretora citou um exemplo ocorrido em Três Lagoas, sem identificar a empresa, onde uma reclamação trabalhista resultou em fiscalização e multa aplicada por empregado, após a empresa não apresentar o diagnóstico nem o plano de ação. Essa situação foi apresentada como um alerta sobre os riscos de manter o processo sem a devida organização.
Para Hiliene, empresas que não estruturam esse trabalho, especialmente no que tange ao treinamento de lideranças, ficam mais vulneráveis a multas, ações trabalhistas e danos à reputação.
A Qualits tem sua sede em Três Lagoas, localizada na Avenida Filinto Müller, nº 837, conforme detalhado na entrevista. A empresa também mantém contato por meio de suas redes sociais, onde divulga seus treinamentos focados em segurança do trabalho e no programa Neurolíder.