Doze bairros de Três Lagoas entram na programação para receber mosquitos Aedes aegypti modificados com a bactéria Wolbachia, método voltado ao controle da dengue, da chikungunya e da zika. O cronograma inicial enfrentou alterações decorrentes de fatores operacionais e climáticos, com expectativa da Secretaria Municipal de Saúde de iniciar a aplicação.
A iniciativa conta com articulação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado de Saúde, da Prefeitura de Três Lagoas e da empresa Wolbito do Brasil, responsável pelo fornecimento dos insetos. O planejamento abrange regiões como Jardim das Acácias, Paranapungá, Santa Luzia, Lapa, Santa Terezinha e Centro, totalizando 12 áreas atendidas.
Escolas, unidades de saúde e Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) participam da etapa preliminar de engajamento comunitário. Segundo o coordenador do setor de Endemias, Alcides Ferreira, a previsão inicial de novembro sofreu atrasos e a administração municipal trabalha para iniciar a ação em 2026, aguardando definições técnicas.
Resultados e cuidados
A bactéria Wolbachia ocorre naturalmente em outros insetos e reduz a capacidade de transmissão dos vírus pelas fêmeas do Aedes aegypti sem oferecer riscos conhecidos à saúde humana. Após a liberação na fase de ovos, os insetos se reproduzem com a população nativa, repassando a bactéria às gerações seguintes para diminuir a incidência das doenças a médio e longo prazo.
O coordenador aponta reduções observadas em outros municípios que adotaram o método, como os 60% registrados em Campo Grande e 70% em Niterói. A execução do projeto prevê suspensão temporária da soltura em áreas que receberem borrifação de inseticida, e as medidas tradicionais de eliminação de água parada continuam recomendadas pelas equipes de controle.