Curadoria Inteligente
20/08/2026 | 6 min leitura

Em Time Que Vence, Não Se Mexe

A transferência do delegado Ailton Pereira de Freitas de Três Lagoas gera indignação. A comunidade questiona a lógica de mexer em um 'time que está ganhando'.

Em Time Que Vence, Não Se Mexe

Um antigo e sábio ditado popular afirma: "em time que está ganhando não se mexe". Esta máxima, simples e repleta de bom senso, lamentavelmente, parece não estar sendo aplicada nas recentes movimentações da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

Foi com surpresa, indignação e profunda preocupação que a comunidade recebeu a notificação da transferência do delegado regional de Três Lagoas, Dr. Ailton Pereira de Freitas. A decisão, tomada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Lupersio Degerone Lucio, foi oficializada em 19 de agosto e comunicou a remoção do delegado para a Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado. Ele dispõe de apenas dez dias para a transição e para readequar sua rotina profissional e pessoal.

Essa deliberação, contudo, não surpreendeu apenas o delegado; chocou a cidade de Três Lagoas por completo.

Diante desse cenário, surgem questionamentos cruciais: qual a razão para essa mudança? Por que neste momento? Qual a justificativa para remover de Três Lagoas um profissional com conhecimento aprofundado da cidade, da região, de seus problemas e dos desafios locais da segurança pública? O que fundamenta a alteração de uma estrutura que demonstra eficácia?

É importante ressaltar que não se trata de um profissional qualquer.

O delegado em questão possui 58 anos de idade, 37 anos de carreira e cerca de duas décadas de dedicação a Três Lagoas e à região de Água Clara. Ele dedicou grande parte de sua vida à segurança pública e está próximo da aposentadoria, com um histórico exemplar de serviços prestados à população de Mato Grosso do Sul.

Mais do que números, posições ou tempo de serviço, o que se destaca é o respeito que ele angariou.

Ao longo dos anos, o Dr. Ailton edificou algo que não pode ser concedido por portarias ou decisões administrativas: credibilidade social. Ele é amplamente respeitado pelos moradores, por seus colegas e pelos policiais sob sua liderança. Trata-se de um indivíduo que conhece profundamente Três Lagoas, a região e as singularidades de uma das cidades mais vitais e estratégicas do Mato Grosso do Sul.

Três Lagoas não é uma cidade comum.

Como Capital Mundial da Celulose, Três Lagoas representa uma potência industrial em constante expansão, uma localidade que cresce, atrai investimentos, gera empregos e enfrenta desafios cada vez mais complexos. Uma cidade com tal envergadura e relevância demanda uma atenção diferenciada do Governo do Estado, sobretudo no que tange à segurança pública.

A segurança pública transcende a mera disponibilidade de viaturas, edifícios e equipamentos. Ela é forjada também por experiência, liderança, confiança, profundo conhecimento territorial e o respeito da comunidade. Todas essas qualidades foram cultivadas pelo delegado regional ao longo de muitos anos de trabalho.

Portanto, a reação da sociedade é plenamente justificada.

Representantes da Câmara Municipal de Três Lagoas, incluindo seu presidente Antônio Empke Júnior (Tonhão), já iniciaram manifestações sobre o ocorrido. O prefeito Dr. Cassiano Maia também se posiciona. Eu, Ricardo Ojeda, jornalista e diretor do Perfil News, não poderia me calar diante dessa situação.

Com isso, pretendo me manifestar e buscar diálogo com o governador Eduardo Riedel, o secretário de Estado de Segurança Pública, Carlos Videira, e outras lideranças políticas de Mato Grosso do Sul, como o ex-governador Reinaldo Azambuja, com o intuito de solicitar a revisão dessa medida.

Minha postura não visa defender privilégios.

Trata-se, na verdade, da defesa de Três Lagoas.

A questão é indagar se realmente faz sentido remover tão subitamente um delegado experiente, respeitado e profundamente ligado à comunidade que serve, especialmente quando ele se aproxima do fim de uma extensa carreira na Polícia Civil.

Após 37 anos de dedicação, não seria mais justo permitir que esse profissional finalize sua trajetória no local onde construiu grande parte de sua história?

Não seria este o momento de expressar reconhecimento?

De manifestar gratidão?

De prestar uma homenagem?

Contrariando essa lógica, o que se impôs foi uma transferência súbita, com prazo exíguo, gerando uma inegável sensação de injustiça e levantando a indagação: por que tal decisão foi tomada precisamente neste instante?

É fundamental que os responsáveis por essa medida forneçam à sociedade as justificativas administrativas que embasaram a transferência. A transparência é essencial, especialmente quando uma deliberação pública gera uma repercussão tão significativa em uma comunidade.

Três Lagoas não deve ser encarada como um laboratório para experimentos administrativos improvisados. A segurança pública é um assunto sério, e não se pode desmantelar uma liderança consolidada sem antes ponderar as consequências, a continuidade das ações e a realidade local.

Nossa cidade merece respeito.

Merece atenção.

E merece representatividade.

Além disso, é justo que os profissionais competentes que aqui geram resultados sejam devidamente valorizados.

Portanto, dirijo um apelo ao governador Eduardo Riedel e às demais autoridades da segurança pública de Mato Grosso do Sul: reconsiderem essa decisão. Escutem a voz de Três Lagoas, de seus representantes, de seus policiais e de sua população.

Ainda há oportunidade para uma reconsideração.

Ainda é possível reconhecer uma história construída ao longo de décadas.

Ainda é tempo de provar que experiência, dedicação e os serviços prestados possuem um valor inestimável.

Deseja-se que o Dr. Ailton Pereira de Freitas possa continuar atuando em Três Lagoas e que, ao término de sua jornada na Polícia Civil, possa fazê-lo com o reconhecimento merecido por uma vida dedicada à segurança pública, sem a impressão de que, nos momentos finais de uma longa carreira, foi forçado a abandonar a comunidade onde edificou sua história.

Três Lagoas merece respeito. Seus agentes policiais merecem respeito. E quem dedicou 37 anos de sua vida à proteção da população merece consideração.

Este é um registro de nossa indignação, mas também um apelo ao bom senso.

Pois, tanto no esporte quanto na gestão pública, a sabedoria reside muitas vezes em identificar e valorizar o que já apresenta bons resultados.

E em time que está ganhando, não se mexe!

Ricardo Ojeda

Diretor do Perfil News

Original em Perfil News

No treslagoas.com, respeitamos os direitos autorais e o trabalho jornalístico local. Nossa IA gerou este resumo original para facilitar sua leitura, mas convidamos você a prestigiar a fonte original completa.