A abertura da feira em Campo Grande uniu o setor produtivo e autoridades em discussões sobre os custos e o cenário internacional.
A Expogrande 2026 teve início nesta quinta-feira (9), em Campo Grande, com uma abordagem que sintetiza o momento do setor. Há otimismo na pujança do agronegócio sul-mato-grossense, mas também preocupação com os custos de produção, o endividamento e as incertezas do mercado global. A abertura da feira reuniu produtores, lideranças rurais e autoridades políticas no Parque de Exposições Laucídio Coelho.
Agro segue como destaque econômico
Na cerimônia, o presidente da Acrissul, Guilherme Bumlai, ressaltou a Expogrande como símbolo da força do agro, associando a feira a valores como trabalho e respeito. A mensagem reforçou a ideia de que o campo é fundamental para a economia brasileira, mesmo em um cenário desafiador.
Além da defesa do setor, Bumlai apontou que a cadeia produtiva enfrenta um período delicado, citando conflitos internacionais e a alta dos custos, como o diesel, que afetam a produção. Ao mesmo tempo, ressaltou o momento favorável da pecuária, com arroba valorizada, valorização do gado e o Brasil como protagonista no mercado global de carne bovina.
Custos, dívidas e fertilizantes em pauta
O tom de alerta foi reforçado no discurso da senadora Tereza Cristina, que destacou os juros altos, o endividamento e o risco de desabastecimento de fertilizantes. Segundo ela, a guerra internacional já impacta o Brasil nos preços e na disponibilidade de insumos.
A senadora alertou para a alta dos fertilizantes e a possível falta do produto em agosto, criticando a dependência externa e defendendo medidas para reduzir a vulnerabilidade brasileira, como o debate sobre combustíveis. O recado foi claro: o agro é forte, mas produzir está cada vez mais caro.
Governo destaca a produção diversificada em MS
O governador Eduardo Riedel destacou a Expogrande como vitrine do setor e a associou ao crescimento de Mato Grosso do Sul, citando cadeias como floresta plantada, proteínas animais, soja, milho, energia e segurança alimentar.
Riedel apresentou um agro diversificado e crucial para a economia estadual, destacando a feira como espaço de negócios e retrato de uma atividade que impacta emprego, renda e expansão econômica.
Segurança jurídica como pauta política
O evento também teve espaço para política, com o senador Flávio Bolsonaro defendendo pautas do setor e prometendo combater a insegurança jurídica no campo, mencionando o marco temporal e as terras indígenas.
Ele defendeu maior autonomia para indígenas decidirem sobre o uso econômico de seus territórios. A presença do senador mostrou que a Expogrande é palco de articulações sobre o futuro do agro brasileiro.
Feira além da pecuária e debate setorial
A 86ª Expogrande segue até 19 de abril, com negócios, genética, tecnologia e entretenimento. A abertura teve show de Zezé Di Camargo. A feira começou com otimismo, mas com o alerta de que produzir está mais caro e dependente de decisões externas.