Invasão em Fazenda Após Acidente Levanta Suspeitas de Abigeato e Maus-Tratos
Uma denúncia grave aponta que diversos indivíduos invadiram uma fazenda em Mato Grosso do Sul para abater bovinos sobreviventes de um acidente rodoviário, com o objetivo de encobrir furtos e abate cruel em propriedade privada.
O acidente envolvendo uma carreta boiadeira na BR-262, em Três Lagoas, desencadeou uma série de crimes em uma propriedade rural próxima. A família proprietária da Fazenda Caçula, situada em frente ao km 26 da rodovia, relata que várias caminhonetes invadiram a área para capturar e abater animais que sobreviveram ao acidente.
O tombamento do caminhão, carregado de gado, resultou na morte de alguns animais e deixou outros feridos. A permanência temporária do gado na fazenda foi autorizada até a chegada da seguradora para o recolhimento.
No entanto, a operação de resgate se transformou em uma cena de barbárie, conforme a denúncia.
A filha do proprietário, uma advogada que preferiu não se identificar, encontrou movimentação suspeita na propriedade por volta das 12h45. Ela avistou dois bois deitados e um veículo com dois homens observando os animais.
“Eles disseram que tinham entrado para ver o que sobrou do acidente. Mas a situação estava estranha”, relatou a denunciante.
Ao retornar com apoio, ela se deparou com uma caminhonete S10 com homens tentando içar um boi vivo para a carroceria. Os indivíduos alegaram que o animal estava “todo quebrado” e que pretendiam “aproveitar a carne”.
A advogada exigiu a soltura do animal, argumentando que ele precisava ser avaliado pela seguradora. “Quando soltaram, o boi levantou normalmente. Ele estava vivo, sem fraturas e ainda chifrou um dos homens que havia amarrado ele”, afirmou.
A denúncia revela que pelo menos dois bois foram mortos de forma clandestina na propriedade, com sinais de sangramento. Outros dois foram retirados vivos e mortos fora da fazenda para simular que estavam soltos na rodovia.
“Eles queriam dizer depois que os animais tinham escapado da fazenda e estavam na pista. Mas os bois estavam dentro da propriedade. Quando cheguei, estavam justamente tentando levar mais um vivo para fora dali”, explicou a advogada.
A suspeita é de que o grupo planejava abater os animais fora da propriedade para dificultar a responsabilização criminal.
Vídeos e fotografias registraram a ação na fazenda, mostrando caminhonetes circulando e pessoas manipulando os animais. Um motorista de uma Fiat Toro preta teria agido de forma agressiva ao perceber que estava sendo filmado.
“O homem cercou meu carro, impediu minha passagem e exigia que eu apagasse as fotos e os vídeos”, relatou.
O indivíduo se identificou como advogado e teria ameaçado a denunciante. Ela respondeu que ele estava cometendo crimes.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acionada, mas os suspeitos já haviam deixado a propriedade. Os veículos foram encontrados em uma fazenda vizinha com alguns ocupantes em posse de animais mortos.
Até o momento, ninguém foi preso em flagrante. “A PRF disse que não faria prisão apenas com base nos vídeos e nas placas, mesmo com as imagens mostrando claramente a situação”, declarou a denunciante.
A família informou que formalizará denúncias contra todos os envolvidos, apontando crimes como abigeato, invasão de propriedade, maus-tratos, abate clandestino, ameaça e associação criminosa.
Enquanto a seguradora recolhia os animais restantes, a fazenda se tornou um cenário de revolta. O caso, que começou com um acidente, evoluiu para uma corrida clandestina por carne, marcada por violência e intimidação. Os vídeos podem ser cruciais para responsabilizar os envolvidos.