Curadoria Inteligente
12/08/2026 | 8 min leitura

Imóveis prontos, chaves retidas: 117 famílias exigem respostas da ALEA em Três Lagoas

Em Três Lagoas, 117 famílias enfrentam angústia com casas prontas e Habite-se emitido, mas sem chaves. Cobram transparência e agilidade da Construtora ALEA.

Imóveis prontos, chaves retidas: 117 famílias exigem respostas da ALEA em Três Lagoas

O empreendimento no Real Park já passou por vistorias e teve o Habite-se emitido em maio, porém os compradores seguem sem as chaves e relatam a falta de informações claras. Mesmo com o prazo contratual até dezembro, as famílias pedem agilidade, transparência e sensibilidade diante do peso de aluguel, financiamento e juros de obra.

A concretização do sonho da casa própria tornou-se uma espera exaustiva para 117 famílias que adquiriram imóveis no Condomínio ALEA Três Lagoas, situado no bairro Real Park. Com as unidades finalizadas e vistorias concluídas, os futuros proprietários agora buscam uma resposta clara sobre o motivo da retenção das chaves, visto que o Habite-se foi emitido em 15 de maio.

O portal Perfil News foi procurado por diversos compradores do empreendimento, que expressam grande preocupação com a prolongada demora na entrega e, sobretudo, insatisfação com a comunicação da Construtora ALEA. Eles afirmam que as informações fornecidas ao longo do processo não têm sido adequadas para esclarecer quais pendências precisam ser resolvidas, nem para indicar uma previsão efetiva para a tão esperada entrega dos imóveis.

Os próprios compradores, e a empresa, reconhecem que o prazo contratual para a entrega do empreendimento se estende até dezembro de 2026. Contudo, a reivindicação das famílias não ignora o contrato. O cerne da questão reside em entender por que, com um empreendimento aparentemente pronto, vistorias realizadas e o Habite-se concedido há quase três meses, a construtora não apresenta, de forma transparente e documentada, as pendências que ainda impedem a liberação.

Habite-se concedido em maio

Um dos pontos cruciais do questionamento é o Habite-se. Conforme documentos citados pelos moradores e confirmado pela própria Construtora ALEA em comunicado ao Perfil News, o Habite-se foi emitido pela Prefeitura em 15 de maio de 2026.

Os compradores relatam que, inicialmente, foram informados de que a liberação das chaves dependia da emissão desse documento. Posteriormente, segundo os relatos encaminhados à reportagem, a justificativa passou para outras pendências relativas à regularização do empreendimento, incluindo os sistemas de água e esgoto.

Essa sequência de informações contraditórias elevou o nível de insegurança entre os futuros moradores.

As famílias não estão solicitando um favor, mas sim total transparência.

Se ainda há procedimentos administrativos ou técnicos em curso, a empresa deve detalhá-los. Se dependem de terceiros, é preciso esclarecer o estágio atual. Se há uma previsão para a conclusão, esta deve ser comunicada aos clientes. O silêncio ou respostas vagas, em um cenário onde 117 famílias planejam suas vidas em função da mudança para uma casa já comprada, apenas geram mais dúvidas e deterioram a confiança.

O custo mensal da espera

Por trás de protocolos, documentos e cronogramas, existem indivíduos. Há famílias arcando com aluguel enquanto aguardam a liberação do imóvel próprio, além de compradores que reportam despesas com financiamento e juros de obra. Mudanças estão planejadas, contratos de aluguel precisam de renovação e os orçamentos domésticos estão cada vez mais apertados.

Entre os depoimentos enviados ao Perfil News, destaca-se o de uma mãe solo, trabalhadora e cuidadora de uma criança autista. Ela afirma que continua a pagar aluguel e taxa de obra simultaneamente, enquanto a liberação do imóvel não acontece.

O condomínio está lá, já pronto. Já fizemos a vistoria e não temos informações de nada, desabafou a compradora, expressando não ter mais condições financeiras para suportar a situação.

Essa declaração resume a magnitude do problema.

Enquanto para uma construtora alguns meses podem ser apenas mais uma etapa em um cronograma, para uma família que paga aluguel e despesas do imóvel já adquirido, cada mês de espera significa recursos que fazem falta no orçamento doméstico.

E a conjuntura econômica atual não facilita para ninguém.

Compradores buscam respostas ativamente

Ramon Costa, um dos compradores de uma unidade e futuro candidato a subsíndico do condomínio, procurou o Perfil News em nome do grupo. Ele informou que os moradores tentaram obter esclarecimentos diretamente com a empresa e alguns chegaram a enviar notificações extrajudiciais e reclamações por meio de canais digitais.

A principal exigência, segundo Costa, é ter conhecimento exato do motivo pelo qual as chaves ainda não foram entregues.

Outro ponto abordado pelos compradores diz respeito aos juros de obra. Eles querem explicações sobre quando essa cobrança será encerrada e quais procedimentos ainda precisam ser finalizados junto à instituição financeira para tal.

Moradores entrevistados pela reportagem também levantaram suspeitas sobre a motivação da demora na tramitação documental. No entanto, até o momento, não foram apresentados elementos suficientes para comprovar que haja uma retenção intencional de documentos pela construtora com o objetivo de prolongar as cobranças. A alegação, portanto, figura como uma preocupação dos compradores, não um fato comprovado.

O que está confirmado, inclusive pelo posicionamento da própria empresa, é que o Habite-se foi emitido em maio e que as etapas de regularização ainda estão em andamento.

Prazo contratual versus a urgência do bom senso

A Construtora ALEA possui um argumento juridicamente válido: o prazo contratual estipulado para a entrega é dezembro.

Contudo, o cumprimento do contrato e a manutenção de uma boa relação com o consumidor não deveriam ser tratados como questões separadas. Se há viabilidade técnica e administrativa para agilizar os procedimentos, é exatamente isso que as 117 famílias aguardam da empresa.

Não é suficiente apenas alegar que o prazo contratual está sendo cumprido quando, para as famílias, cada dia representa um custo financeiro e emocional de espera.

É fundamental que a Construtora ALEA demonstre sensibilidade e enxergue esses compradores não apenas como números de unidades, mas como famílias que planejaram suas finanças, assumiram compromissos e depositaram suas expectativas e investimentos no sonho da casa própria.

Ninguém está solicitando que a empresa ignore as exigências legais ou entregue um condomínio sem as autorizações necessárias. Pelo contrário: segurança jurídica, regularização de água e esgoto, e o cumprimento das exigências dos órgãos públicos são etapas indispensáveis.

O que se demanda é agilidade naquilo que pode ser acelerado e transparência absoluta naquilo que ainda não pode ser resolvido.

Se o aceite definitivo dos sistemas de água e esgoto está pendente, que isso seja explicado em detalhes aos compradores. Se há documentação em análise, que se informe qual documento e qual órgão é o responsável. Se houver um prazo estimado, que seja divulgado. E se não houver, que a empresa esclareça claramente os motivos.

Quem investiu na compra de uma casa merece muito mais do que respostas genéricas e padronizadas.

ALEA afirma que empreendimento está em fase final de regularização

Procurada pelo Perfil News, a Construtora ALEA confirmou a emissão do Habite-se em 15 de maio, mas ressaltou que este é apenas um dos estágios necessários para a entrega dos imóveis.

Em um posicionamento enviado à reportagem, a companhia declarou:

“A companhia esclarece que o prazo contratual para a entrega do empreendimento é dezembro de 2026, e que o Habite-se foi emitido pela prefeitura em 15 de maio de 2026. Este documento é uma das etapas essenciais para a entrega dos imóveis, mas não finaliza todo o processo de liberação do empreendimento.

A empresa destaca que o empreendimento está na fase final de regularização, que inclui a formalização do aceite dos sistemas de água e esgoto. Tais procedimentos são cruciais para a liberação e seguem o cronograma estipulado. As vistorias das unidades com os compradores já foram concluídas.

A companhia mantém uma comunicação direta com os compradores, fornecendo atualizações sobre o progresso do processo. A assembleia de posse e a entrega das chaves ocorrerão após a finalização de todas as etapas indispensáveis, respeitando o prazo contratual vigente.

A ALEA permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais através de seus canais oficiais de comunicação.”

O posicionamento da construtora esclarece que ainda há procedimentos relacionados aos sistemas de água e esgoto a serem finalizados, porém a angústia das famílias persiste.

Dezembro pode ser o limite máximo estabelecido em contrato. Contudo, para aqueles que arcam com aluguel, financiamento e outras despesas enquanto observam uma casa pronta onde ainda não podem morar, cada dia é significativo.

As 117 famílias não cobram meramente a chave de seus lares, mas sim informação precisa, previsibilidade e respeito ao planejamento de suas vidas.

Diante de um empreendimento concluído, vistorias realizadas e um Habite-se emitido desde maio, a Construtora ALEA precisa demonstrar aos seus clientes que empregará todos os esforços para que a espera se encerre o mais breve possível, e não apenas no último dia permitido pelo contrato.

Original em Perfil News

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