Curadoria Inteligente
22/07/2026 | 3 min leitura

Laudo da Polícia Federal descarta cocaína em carga de aroeira, desmentindo ‘maior apreensão da história’

A Polícia Federal divulgou laudo técnico que descartou a presença de cocaína em 260 toneladas de aroeira, desmentindo a 'maior apreensão da história' da Receita Federal.

Laudo da Polícia Federal descarta cocaína em carga de aroeira, desmentindo ‘maior apreensão da história’

A perícia criminal da Polícia Federal divulgou um laudo que afastou qualquer indício de cocaína na carga de 260 toneladas de madeira aroeira. Essa carga havia sido apreendida em junho pela Receita Federal, com o auxílio do Exército, durante a Operação Timber Shield.

No momento da apreensão, os fiscais da Receita Federal classificaram a operação como a "maior apreensão de drogas da história", projetando que o carregamento pudesse ter entre 20 e 50 toneladas do entorpecente em sua forma líquida, oculto nas fibras da madeira.

Entretanto, todas as amostras examinadas nos laboratórios apresentaram resultados negativos para cocaína e para quaisquer outras substâncias ilícitas.

Os especialistas federais atestaram que não foi encontrado sequer um grama de substância entorpecente no material interceptado nas cidades de Corumbá e Cáceres, em Mato Grosso.

Densidade da madeira impossibilita a utilização por traficantes

As hipóteses levantadas inicialmente pela fiscalização sugeriam um método sofisticado de ocultação, onde a droga líquida seria incorporada pelas fibras da aroeira. Contudo, os peritos criminais esclareceram que as propriedades naturais dessa madeira inviabilizam a aplicação de tal estratégia.

A aroeira, conhecida por ser uma das madeiras mais densas, duras e duráveis do Brasil — frequentemente empregada em construções rurais e cercas —, demonstra uma reduzida capacidade de absorver umidade.

Essa característica de impermeabilidade natural impede que soluções químicas ou drogas em estado líquido consigam penetrar em sua estrutura interna.

Testes em campo, incluindo cães farejadores e análises de serragem, resultaram negativos

Visando a acurácia do diagnóstico, as equipes periciais conduziram inspeções in loco no Porto Seco de Corumbá. Para essa verificação, houve o apoio do 3º Batalhão de Operações Ribeirinhas da Marinha, que mobilizou cães farejadores especializados, e a colaboração de bombeiros e militares do Exército no corte de partes da madeira com motosserras.

  • Cães farejadores: Os animais treinados não apresentaram qualquer sinal de presença de drogas nas toras inspecionadas.
  • Coleta de amostras: Fragmentos, lascas e pó de madeira (serragem) foram coletados de múltiplos pontos do carregamento.
  • Exames imediatos: Testes químicos preliminares, como o teste de Scott, e análises com espectrômetro a laser, efetuados no local, não detectaram qualquer substância proibida.

Amostras adicionais foram encaminhadas ao Instituto Nacional de Criminalística, localizado em Brasília, e os resultados confirmaram a inexistência de entorpecentes, pondo fim à hipótese de que a carga estaria contaminada.

Original em RCN 67

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