Curadoria Inteligente
16/04/2026 | 5 min leitura

Maturro no RCNmob defende agenda de crédito e inovação para o agro

Francisco Maturro defende agenda focada em crédito e infraestrutura para impulsionar o futuro do agronegócio brasileiro.

Maturro no RCNmob defende agenda de crédito e inovação para o agro

Em entrevista no RCNmob, o empresário Francisco Maturro, ex-secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, destacou a necessidade de resolver desafios estruturais para o avanço do agro.

Durante o evento, Francisco Maturro participou do RCN Agro 2026, onde apresentou uma visão abrangente do setor. Ele enfatizou que o progresso do agro brasileiro depende de ações práticas focadas em crédito, infraestrutura, tecnologia, políticas públicas e comunicação com a sociedade urbana. Maturro, ao participar do RCNmob no Parque de Exposições Laucídio Coelho, ressaltou que a produção e a preservação devem caminhar juntas, superando obstáculos fora da porteira.

Maturro chegou ao RCN Agro 2026 defendendo um agro mais transparente para o país. Durante a conversa, abordou a evolução histórica da agricultura brasileira, a relevância da ciência tropical, a importância da integração lavoura-pecuária-floresta e a necessidade de transformar oportunidades em investimentos reais. A entrevista destacou que o Brasil é competitivo, mas precisa resolver entraves logísticos e evitar disputas ideológicas em temas estratégicos.

Da agricultura empírica ao agro impulsionado pela ciência

Ao relembrar a formação do agro moderno, Maturro mencionou que a agricultura brasileira passou por uma transformação significativa a partir da década de 1970. A mecanização abriu um novo ciclo, especialmente com a expansão da produção para o Centro-Oeste, que revelou as limitações da agricultura tradicional. O desafio dos cerrados exigiu pesquisa, ciência, tecnologia e a persistência dos produtores rurais, que construíram a agricultura tropical brasileira.

Esse raciocínio é um ponto central da entrevista. Para Maturro, o Brasil construiu sua força no agro através do esforço no campo e do desenvolvimento científico adaptado à realidade tropical. Ele destacou a Embrapa e os centros de pesquisa como pilares desse processo, enfatizando a necessidade de criar soluções próprias para um ambiente produtivo único.

ILPF como a terceira grande evolução do campo

Segundo o dirigente da Rede ILPF, a integração lavoura-pecuária-floresta representa a terceira grande evolução do agro nacional, após o plantio direto e a segunda safra. O sistema permite múltiplas culturas na mesma área, melhora o uso do solo e amplia a sustentabilidade produtiva. Maturro afirmou que, em 20 anos, 20 milhões de hectares de pastagens degradadas foram incorporados a sistemas integrados no Brasil.

Apesar desse avanço, ele apontou a questão do crédito caro. Segundo Maturro, os juros altos dificultam o investimento, especialmente em sistemas que exigem planejamento e tecnologia. Ele acredita que o país tem um grande potencial para crescer nesse modelo, pois ainda possui cerca de 159 milhões de hectares em pastagens que podem ser reconvertidas.

O gargalo está fora da porteira

Ao abordar o cenário global, Maturro preferiu ver oportunidades em vez de ameaças. No entanto, ele destacou a carência de ferrovias, rodovias, portos, hidrovias e armazenagem como obstáculos ao desenvolvimento. Ele mencionou que o Brasil possui um déficit de 135 milhões de toneladas de grãos sem estrutura adequada para estocagem.

Para Maturro, o problema não é a capacidade de produzir, mas a infraestrutura necessária para sustentar essa produção de forma eficiente. Ele defende que o Estado deve criar regras e um ambiente regulatório favorável, enquanto o investimento deve ser liderado pela iniciativa privada.

Sustentabilidade não pode ser apenas discurso

Ao tratar da sustentabilidade, Francisco Maturro criticou a falta de conexão entre o campo e a cidade. Ele argumentou que o setor falhou em comunicar sua importância para a sociedade urbana, que consome produtos do campo diariamente sem perceber essa dependência. A crítica foi direcionada ao próprio agro, que, segundo ele, não explica adequadamente o que faz.

Maturro defendeu que a sustentabilidade deve ser ambiental, social e econômica. Se não preservar, não serve. Se não incluir pessoas, não serve. E, se não gerar renda ao produtor, não se sustenta. O agro precisa ser eficiente, regulado, rentável e ambientalmente responsável.

Maturro também afirmou que a pressão por sustentabilidade vem do mercado interno, com a população brasileira demandando alimentos e cadeias produtivas mais responsáveis. Ele reforçou que a agroindústria opera sob forte regulação sanitária e ambiental.

Tecnologia não é exclusividade do grande produtor

Outro ponto importante da entrevista foi a defesa de que sistemas integrados e inovação não são exclusivos das grandes propriedades. Maturro mencionou que a maioria das propriedades rurais no Brasil são pequenas. Para ele, o tamanho da área não define a capacidade econômica do produtor nem sua aptidão para adotar tecnologia.

Ele citou exemplos de sistemas integrados, como combinações de banana, cacau e seringueira, e propriedades que agregam mel e outras atividades para aumentar a receita. A tese é que integração significa inteligência produtiva, não apenas reproduzir modelos fechados.

Entre a polarização e a agenda de Estado

Na reta final da conversa, o ex-secretário abordou questões políticas. Ele lamentou que parte do debate nacional seja contaminada por narrativas e programas de governo que não se consolidam como políticas de Estado. Para ele, o Brasil precisa de agendas permanentes.

Maturro pediu que o país continue acreditando no Brasil e buscando caminhos para o setor. O agro brasileiro já é referência mundial, mas precisa avançar em segurança alimentar, segurança energética e reduzir a dependência externa de fertilizantes. O recado foi sobre responsabilidade: o campo brasileiro já provou sua capacidade de produzir; agora, precisa consolidar as estruturas que sustentem esse protagonismo no longo prazo.

Original em RCN 67

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