Crescimento do Setor de Celulose em MS
Mato Grosso do Sul está no caminho para se tornar o principal produtor de celulose do Brasil até 2030, solidificando sua importância no mercado global. A transformação do Vale da Celulose, impulsionada por investimentos significativos e expansão industrial, coloca o estado em destaque.
O Início da Jornada Florestal
Há mais de 30 anos, um projeto florestal em Três Lagoas deu início a uma grande revolução econômica em Mato Grosso do Sul. A expansão do setor de celulose fez com que o estado se tornasse um polo de referência internacional, atraindo investimentos e se destacando pela sustentabilidade e produtividade.
Nos anos 1990, a Chanflora, da Champion Papel e Celulose, começou a plantar eucalipto no leste do estado, com o objetivo de construir uma fábrica de papel voltada ao Mercosul, um projeto bem menor do que o que se concretizou.
"Inicialmente, o projeto era uma fábrica de papel de 500 mil toneladas para o Mercosul. Era difícil imaginar o crescimento. Plantar 5 mil hectares de eucalipto por ano era um marco. Hoje, só a Suzano planta entre 70 e 80 mil hectares anualmente", afirma Miguel Cadini, gerente de negócios florestais da Suzano.
Expansão Industrial e Impacto Econômico
Em menos de 20 anos, Mato Grosso do Sul atraiu grandes empresas do setor florestal. Três Lagoas concentra três linhas de produção de celulose (duas da Suzano e uma da Eldorado Brasil), e Ribas do Rio Pardo abriga a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, da Suzano.
A Arauco está construindo o Projeto Sucuriú em Inocência, com investimento de R$ 25 bilhões e capacidade de 3,5 milhões de toneladas anuais. A Bracell planeja uma nova unidade em Bataguassu, com produção de 2,8 milhões de toneladas por ano.
As unidades em operação produzem cerca de 7,6 milhões de toneladas de celulose por ano. Em 2024, o Brasil produziu 25,5 milhões de toneladas de celulose, segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).
Com os projetos da Arauco e da Bracell, Mato Grosso do Sul deverá produzir 13,9 milhões de toneladas por ano, representando mais de 50% da produção nacional até 2030.
Vantagens Competitivas de MS
Jaime Verruck, ex-secretário da Semadesc, analisou o crescimento do setor e destacou os fatores que tornaram Mato Grosso do Sul um protagonista na produção de celulose.
Segundo Verruck, "Mato Grosso do Sul reuniu um conjunto de vantagens competitivas que favoreceram a instalação de grandes indústrias, como terras planas, clima favorável, abundância hídrica, logística competitiva e alta produtividade do eucalipto".
Ele também enfatizou que políticas públicas de industrialização, segurança jurídica e incentivos atraíram investimentos internacionais, consolidando o setor. A partir dos anos 2000, grupos globais interessados em expandir a produção para o mercado externo, principalmente a China, foram atraídos.
Impacto na Economia e Empregos
O setor florestal mudou a economia de Mato Grosso do Sul, gerando empregos diretos e indiretos em diversos setores.
A Eldorado Brasil tem cerca de 5,8 mil colaboradores diretos e quase o dobro de trabalhadores indiretos. A Suzano tem aproximadamente 9 mil profissionais em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo.
A celulose impulsiona setores como hotelaria, alimentação, transporte, oficinas mecânicas, postos de combustíveis e comércio, aumentando a renda nas cidades do Vale da Celulose.
No setor florestal, os salários iniciais são em torno de R$ 3,5 mil. Na indústria, o salário nominal médio é de R$ 6.967, segundo o Observatório da Fiems.
Reconhecimento Internacional
Mato Grosso do Sul se destaca no mercado internacional de celulose, reconhecido pela eficiência, sustentabilidade e competitividade industrial.
A trajetória iniciada com o plantio de eucalipto transformou o estado em um dos maiores players mundiais da indústria florestal. O que era uma aposta se tornou uma engrenagem econômica bilionária, tornando Mato Grosso do Sul uma referência global na produção de celulose.