O trânsito em Três Lagoas apresenta um cenário preocupante. Entre janeiro e agosto deste ano, o quantitativo de acidentes com vítimas fatais praticamente triplicou na comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram contabilizadas oito ocorrências com morte nos primeiros oito meses, enquanto no mesmo intervalo de 2025 o registro foi de apenas três casos.
Os dados da Polícia Militar também apontam elevação no volume geral de batidas e colisões. No perímetro urbano do município, as ocorrências passaram de 1.312, entre janeiro e agosto do ano passado, para 1.379 no mesmo período atual, representando um acréscimo de 67 registros.
No entanto, a maior preocupação das autoridades recai sobre a gravidade dos episódios. Em um recorte de apenas oito meses, a cidade já alcançou o patamar total de ocorrências fatais contabilizadas ao longo de todo o ano de 2025, que fechou com 1.995 acidentes e oito mortes.
Edgard Wegner, representante da Autoridade Municipal de Trânsito, aponta o comportamento dos condutores como o principal influenciador dessas estatísticas. Fatores como desrespeito à sinalização, desatenção e excesso de velocidade lideram as causas dos episódios mais graves.
O gestor ressalta que os riscos continuam mesmo em vias bem estruturadas e equipadas com fiscalização eletrônica, a exemplo da Avenida Capitão Olinto Mancini. Para ele, a infraestrutura e a fiscalização precisam vir acompanhadas de uma conscientização por parte da população.
A alta nos índices negativos acontece em paralelo a campanhas educativas contínuas promovidas pelo poder público, que incluem orientações nas ruas, escolas e indústrias. Contudo, a imprudência de pedestres, ciclistas e motoristas segue como um obstáculo persistente para a segurança viária.
Outro alerta importante diz respeito ao uso de bicicletas elétricas, especialmente por adolescentes. A recomendação é para que os responsáveis fiquem atentos e orientem os jovens sobre as normas de circulação e os perigos associados.
A superlotação desses veículos também gera apreensão. É frequente a circulação de bicicletas elétricas conduzindo mais de uma pessoa, incluindo crianças pequenas, o que eleva consideravelmente a probabilidade de acidentes graves.
Com oito mortes computadas até agosto, Três Lagoas entra no último terço do ano com estatísticas alarmantes, igualando em poucos meses o total de óbitos dos 12 meses anteriores. O chamado atual é para que a reversão desses índices ocorra antes de novas tragédias nas vias locais.