Curadoria Inteligente
07/04/2026 | 3 min leitura

Perícia Criminal: Pilar no Combate à Violência e Amparo às Vítimas em MS

Atuação da perícia criminal fortalece o combate à violência em MS, com atendimento técnico e humanizado, ampliando o acolhimento às vítimas.

Perícia Criminal: Pilar no Combate à Violência e Amparo às Vítimas em MS

A perícia criminal desempenha um papel crucial na elucidação de casos de violência, muitas vezes revelando detalhes não aparentes nos relatos iniciais e transformando indícios em provas consistentes para a investigação.

A análise de vestígios como marcas no corpo, evidências no local do crime, registros de câmeras, mensagens excluídas e contradições em depoimentos é fundamental para reconstruir a dinâmica dos eventos. Em alguns casos, exames de DNA e impressões digitais são decisivos para conectar suspeitos a crimes, inclusive em situações inicialmente consideradas como mortes não esclarecidas.

A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul é responsável por esse trabalho, atuando desde o atendimento inicial no local da ocorrência até a realização de exames médico-legais e análises laboratoriais. A estrutura abrange todos os 79 municípios do estado, com quatro institutos especializados na capital e 14 unidades regionais no interior.

Em casos de feminicídio, agressões e violência sexual, a atuação pericial começa na cena do crime, com a coleta de vestígios para a reconstrução dos fatos. Nos exames de corpo de delito, as lesões são documentadas e materiais são coletados, frequentemente representando a principal evidência de violência. Em casos de morte, os exames necroscópicos auxiliam na determinação das causas e circunstâncias do óbito.

Atendimento Integrado e Humanizado

Além da produção de provas, a perícia integra a rede de proteção às vítimas, especialmente mulheres em situação de violência. Em Campo Grande, a unidade do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) na Casa da Mulher Brasileira, em funcionamento há três anos, concentra acolhimento e realização de exames no mesmo local.

O número de atendimentos tem aumentado: 618 em 2023, 810 em 2024, 1.524 em 2025 e 385 já em 2026. O modelo agiliza o atendimento, evitando deslocamentos e fragmentação do processo.

Em Dourados, o atendimento integrado ocorre através do Projeto Acalento, em parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), unindo assistência em saúde e exames periciais.

Outra iniciativa é a implantação de “salas lilás”, espaços reservados para atendimento humanizado de mulheres vítimas de violência, já em funcionamento em Amambai e em breve em Bataguassu.

Segundo Nelson Fermino Junior, coordenador-geral de Perícias, o trabalho transcende a elaboração de laudos: “Envolve preparo técnico, sensibilidade e integração com a rede de proteção, garantindo qualidade na prova e reduzindo a revitimização”.

Com ações que unem técnica, estrutura e acolhimento, a perícia criminal se estabelece como peça-chave na elucidação de crimes e na garantia de um atendimento digno às vítimas em Mato Grosso do Sul.

Original em Radio Caçula

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