Presidentes do Paraguai e Brasil, Marina Silva, chanceler boliviano e Amy Fraenkel da ONU marcaram presença.
O Pantanal ganhou protagonismo nos discursos da alta cúpula da COP15, a 15ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres.
Em pronunciamentos oficiais, as autoridades ressaltaram a relevância do bioma para o equilíbrio ambiental no continente americano.
O presidente da COP15, João Paulo Capobianco, secretário-executivo do MMA, iniciou as falas, enfatizando a importância do Pantanal.
“Estamos reunidos em Campo Grande, próximos ao Pantanal, a maior planície alagável do mundo, um bioma transfronteiriço de importância global, que simboliza a conectividade ecológica que a convenção busca proteger”, declarou.
“Este encontro reafirma a convicção de que a conservação das espécies migratórias e seus habitats está intrinsecamente ligada à cooperação internacional, ao desenvolvimento sustentável e ao fortalecimento do multilateralismo”, acrescentou.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, enfatizou a necessidade de união.
“Convido a todos a considerarem esta COP15 como um ponto de transformação na gestão e preservação das espécies migratórias. Seus movimentos são dependentes da conectividade”, afirmou.
“Essa conectividade está sob ameaça, especialmente pelas mudanças climáticas e fragmentação de habitats. Estamos no país com a maior biodiversidade, em uma região conectada aos fluxos da vida, o que traz grande responsabilidade”, complementou.
“Proteger essas espécies é proteger o equilíbrio global”, ressaltou a ministra, mencionando os esforços do governo brasileiro para implementar mais de 200 ações pela biodiversidade até 2030.
“Nenhum país pode proteger sozinho as espécies migratórias. A cooperação internacional mostra que é possível reverter a situação”, disse.
O Brasil busca manter a proteção na Tríplice Fronteira. “Precisamos alinhar estratégias e proteger essas espécies. O Brasil está disposto a trabalhar com todos os países, em especial com nossos vizinhos paraguaios e bolivianos”, destacou.
O ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Carrasco, afirmou que “a proteção das espécies migratórias é uma questão ambiental, de segurança regional e estabilidade futura. A conectividade ecológica integra sistemas que sustentam economias e previnem conflitos”.
“A deterioração afeta a biodiversidade e impacta a segurança alimentar e hídrica”, avaliou.
“Os pantanais têm um papel crítico como espaço de biodiversidade e estruturas naturais que regulam a água. No entanto, esses sistemas estão sob pressão por modelos de desenvolvimento que não valorizam essa coletividade”, defendeu.
O ministro destacou a parceria entre Brasil, Bolívia e Paraguai na preservação do Pantanal.
O presidente paraguaio, Santiago Peña, expressou sua honra em estar em Campo Grande, próximo ao Pantanal, onde nasce o rio Paraguai.
Ele mencionou que o Paraguai é um ponto de convergência de três grandes sistemas naturais: o chaco, o Pantanal e as florestas atlânticas.
“Estas regiões são importantes para as espécies migratórias e para as comunidades que nelas vivem.”
“O Paraguai está convencido de que proteger as espécies migratórias é uma decisão de desenvolvimento, garantindo a estabilidade dos nossos povos”, afirmou.
Foi decretada a ampliação das Unidades de Conservação do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e do Cerrado, da Estação Ecológica do Taiamã, e a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas.
Ao todo, mais de 174 mil hectares serão protegidos.
Midiamax