A atividade suinícola em Mato Grosso do Sul experimenta um período de crescimento notável, apoiada por políticas governamentais, aportes privados e melhorias em áreas como sanidade animal, biossegurança e práticas sustentáveis. Nos últimos três anos, o segmento alcançou um aumento de quase 50% em todo o estado.
Este panorama foi detalhado no V Simpósio Abraves/MS, que ocorreu em Campo Grande, pelo secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta. O secretário enfatizou que a performance positiva da cadeia produtiva é fruto da organização interna do setor aliada a iniciativas governamentais que visam aprimorar a competitividade.
Conforme Beretta, o governo estadual intervém em diversas frentes, desde a facilitação de crédito até a atualização de programas de fomento, a exemplo do Leitão Vida, reconhecido como ferramenta essencial para o suporte à suinocultura sul-mato-grossense.
Fortalecimento do Associativismo e Modernização do Leitão Vida
O secretário também salientou a relevância do fortalecimento do associativismo como pilar para o avanço da cadeia produtiva. Segundo suas palavras, a presença de associações e cooperativas em debates é crucial tanto para a criação de políticas públicas eficazes quanto para a disseminação de inovações tecnológicas.
“O progresso da suinocultura em Mato Grosso do Sul emerge de um esforço conjunto. O Estado tem se empenhado em estabelecer um cenário propício para investimentos, assegurar a saúde animal, incentivar a implementação de boas práticas e consolidar a estrutura organizacional dos produtores”, declarou Beretta.
Outro aspecto relevante foi a atualização do Programa Leitão Vida, que em 2025 foi reformulado e passou a incorporar o Protocolo Leitão Vida em Conformidade (PLVC). Este protocolo foi desenvolvido com a colaboração de produtores, cooperativas e entidades ligadas ao segmento.
Este novo padrão define diretrizes para produção, biossegurança, bem-estar animal e sustentabilidade. Adicionalmente, impõe a necessidade de acompanhamento técnico por parte de médicos-veterinários e zootecnistas nas propriedades que aderem ao programa.
“A intensificação da assistência técnica é crucial para aprimorar os índices de produção e assegurar que o desenvolvimento da atividade ocorra de maneira ecologicamente responsável”, detalhou Beretta.
Resultados e Investimentos na Suinocultura
Segundo os dados expostos, de janeiro a junho de 2026, mais de 4,5 milhões de animais receberam incentivos, resultando no abate de 1,63 milhão de suínos e na distribuição de R$ 45,2 milhões em apoio financeiro aos produtores. Atualmente, 272 propriedades rurais estão envolvidas no programa, a maior parte delas já alinhada com as novas diretrizes.
Nos últimos sete anos, o setor suinícola foi beneficiado com aproximadamente R$ 1,7 bilhão em recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), o que o consolida como um dos pilares econômicos mais importantes do estado.
O simpósio serviu como um encontro para produtores, técnicos, pesquisadores e representantes da indústria, que debateram os desafios e as oportunidades do setor suinícola, com ênfase em inovação, gestão eficiente e sustentabilidade.