Com 348.117 hectares de florestas plantadas, Três Lagoas figura na segunda posição no ranking nacional de áreas dedicadas ao eucalipto, atrás de Ribas do Rio Pardo, que soma 537.011 hectares. Os dados integram levantamentos recentes sobre a silvicultura em Mato Grosso do Sul, estado que alcançou aproximadamente 1,9 milhão de hectares destinados ao setor, registrando avanço de 30,3% em relação ao período anterior e tendo o eucalipto como 99,7% dessa base.
A infraestrutura industrial local conta com a atuação de grandes companhias. A Suzano opera com duas linhas de produção no município, enquanto a Eldorado Brasil Celulose mantém na cidade uma fábrica com capacidade próxima de 1,8 milhão de toneladas de celulose por ano. Desse montante, cerca de 90% da produção é escoada para mais de 40 países. A relevância externa também apareceu nos índices de comércio exterior de 2025, quando a celulose representou 28,98% das vendas estaduais ao exterior, com Três Lagoas respondendo por 19,68% das exportações de Mato Grosso do Sul.
Novos investimentos e tecnologia no setor
A expansão regional engloba empreendimentos bilionários como o Projeto Sucuriú, iniciativa da Arauco no município de Inocência estimada em US$ 4,6 bilhões, com projeção de 3,5 milhões de toneladas anuais. No cenário nacional de 2024, o Brasil registrou US$ 15,7 bilhões em exportações de produtos florestais, gerando uma produção florestal avaliada em R$ 44,3 bilhões, dos quais R$ 28,8 bilhões corresponderam estritamente à celulose.
Para Germano Vieira, engenheiro agrônomo e diretor florestal da Eldorado Brasil Celulose, o perfil da atividade mudou expressivamente nos últimos anos. “Quando comecei a trabalhar no setor, a discussão era muito mais restrita. Falava-se em sobrevivência, adaptação e escala. Hoje falamos em genética, qualidade da madeira, resiliência climática, automação e inteligência de dados”, afirmou o executivo, acrescentando que o segmento opera atualmente por meio de arranjos produtivos avançados.