Curadoria Inteligente
20/08/2026 | 9 min leitura

A Prefeitura Intensifica a Fiscalização Contra o Descarte Ilegal de Resíduos em Três Lagoas

Para combater o descarte irregular de lixo em Três Lagoas, a Prefeitura intensifica a fiscalização e solicita a colaboração da população para denúncias anônimas.

A Prefeitura Intensifica a Fiscalização Contra o Descarte Ilegal de Resíduos em Três Lagoas

O descarte inadequado de resíduos em áreas públicas, terrenos não utilizados e adjacências de acessos a ranchos permanece como um grande problema ambiental em Três Lagoas. Apesar dos esforços de limpeza da Prefeitura, novos focos de descarte ressurgem rapidamente após as intervenções.

Durante uma entrevista ao programa RCN Notícias, exibido pela TVC HD Canal 13.1, Mariana Amaral, secretária municipal de Meio Ambiente e Agronegócio, declarou que o governo municipal está intensificando as ações de fiscalização e conclamou a comunidade a auxiliar na identificação dos responsáveis pelo descarte ilícito.

A secretária mencionou que as denúncias podem ser feitas com o envio de fotos ou vídeos, com foco especial na identificação das placas dos veículos envolvidos no transporte dos detritos. A confidencialidade do denunciante é garantida.

Mariana Amaral enfatizou que a abordagem anterior de apenas "falar, mostrar e limpar" não tem se mostrado eficaz.

A titular da pasta defendeu a imposição de multas aos infratores.

Em suas palavras, "somente com sanções financeiras" a conscientização da população seria alcançada.

Recentemente, a secretária relatou ter recebido um vídeo que expôs uma empresa do setor florestal de Três Lagoas realizando descarte impróprio de materiais em um terreno.

Conforme Mariana, a gravidade da situação aumenta pela existência de locais adequados para diferentes tipos de lixo, como o "Buracão do Jupiá", específico para galhos, entulho de construção, madeira e itens de grande volume.

Ela asseverou que "não há justificativa" para esse tipo de descarte incorreto.

A secretária enfatizou que os custos das operações de limpeza são, em última instância, suportados pelos próprios cidadãos através dos impostos.

Com cerca de 65 mil residências em Três Lagoas, conforme dados da secretária, o município dispõe de 11 caminhões para coleta convencional, além de veículos para coleta seletiva e equipes atuando em múltiplos turnos para atender à demanda populacional.

Essa infraestrutura abrange também regiões mais distantes, incluindo áreas de ranchos.

Mariana também salientou que a cidade possui um aterro sanitário licenciado, considerado um modelo no Mato Grosso do Sul, equipado com um avançado sistema de engenharia que inclui mantas de proteção, drenagem, monitoramento e tratamento de chorume.

Ela concluiu que "tudo isso representa um custo, e quem arca com ele é a população".

A preocupação com a quantidade de resíduos gerados se estende à durabilidade do aterro sanitário.

De acordo com Mariana, o processo licitatório para a construção da segunda célula do aterro foi finalizado no fim do ano anterior. A secretária explicou que tanto o desenvolvimento urbano quanto o incremento do poder de compra dos cidadãos contribuem para o aumento na produção de resíduos.

Ela fez questão de enfatizar que um aterro sanitário difere de um lixão, sendo dotado de um complexo sistema de engenharia para gerenciar gases, chorume e mitigar potenciais impactos ambientais.

Entre as estratégias em análise pela Prefeitura para coibir o descarte ilegal está a instalação de câmeras com monitoramento ininterrupto em locais identificados como críticos.

Mariana detalhou que, embora a identificação via placas de veículos já ajude a administração a localizar alguns infratores, a fiscalização se complica quando o descarte é feito sem o uso de automóveis.

Com câmeras de monitoramento contínuo, seria possível "ir ao local no momento e flagrar a pessoa realizando o ato inadequado", explicou.

A secretária também salientou que a Prefeitura está impedida de divulgar publicamente a identidade dos infratores, em conformidade com as normas legais de proteção de dados.

Mariana exemplificou com um local próximo ao acesso do Hospital Regional, na área do Paranapungá, onde uma extensa operação de limpeza foi conduzida pela Prefeitura.

Somente na parte da manhã, cinco cargas de caminhão foram removidas do local, segundo ela.

Contudo, o problema ressurge com rapidez, com o descarte irregular de itens como sofás, colchões, entulhos de construção, lixo doméstico e, inclusive, animais mortos nesses pontos.

Essa situação propicia a proliferação de animais e pode acarretar em problemas de saúde pública e surgimento de pragas urbanas.

O bairro Novo Oeste é uma das áreas que receberá atenção especial da Prefeitura. A Secretaria do Meio Ambiente planeja implementar e testar um sistema de coleta para resíduos volumosos e galhadas nessa localidade.

O objetivo não é disseminar pontos de descarte pela cidade, mas sim criar áreas específicas, com caçambas e contêineres, para o recebimento de tipos específicos de resíduos, que serão posteriormente enviados para o destino correto.

Atualmente, três caçambas estão instaladas em um dos pontos indicados pela secretária, com a expectativa de aumentar esse número para dez.

Mariana, entretanto, sublinhou que a eficácia do sistema depende fundamentalmente da participação e colaboração dos moradores.

Ela destacou a "necessidade de conscientização", pois "não adianta as pessoas descartarem de qualquer maneira, jogando no chão".

A secretária também detalhou que cada tipo de resíduo exige uma destinação específica.

Materiais orgânicos, que se decompõem e geram chorume, devem ser direcionados ao aterro sanitário, projetado para tratar esse tipo de resíduo.

O "Buracão do Jupiá", por sua vez, é reservado para galhos, detritos de construção, madeira e materiais volumosos, sendo proibido o descarte de lixo doméstico neste local.

A mistura de diferentes resíduos resulta no encaminhamento ao aterro de materiais que poderiam ter outra destinação, elevando os custos e diminuindo a vida útil da estrutura.

Mariana abordou também as queixas sobre a coleta convencional. Em algumas áreas, os coletores retiram os sacos das lixeiras e os concentram nas esquinas antes da chegada do caminhão de lixo.

Segundo a secretária, essa prática visa acelerar o serviço, mas pode gerar problemas se o lixo permanece exposto por tempo prolongado, já que animais podem rasgar os sacos e espalhar os resíduos pelas vias públicas.

A Prefeitura emprega um sistema de monitoramento para acompanhar horários e locais da coleta dos caminhões. A administração também instrui a empresa encarregada a alternar as esquinas de agrupamento, para que os residentes não se habituem a descartar o lixo sempre no mesmo ponto com antecedência.

Mariana solicitou que a população continue informando a Prefeitura sobre quaisquer problemas persistentes na coleta.

A coleta seletiva foi outro tópico discutido. A secretária informou que a meta do município é aumentar o volume de material que recebe uma destinação ambientalmente correta.

O material coletado pela coleta seletiva é enviado à Cooperativa Arara Azul para triagem. Papelão, metais e plásticos são comercializados, proporcionando sustento aos cooperados.

Mariana destacou que, entre os anos de 2024 e 2025, o volume de material comercializado pela cooperativa duplicou.

Ela esclareceu, no entanto, que nem todos os itens depositados nos sacos da coleta seletiva podem ser reciclados. Embalagens com resíduos de alimentos, por exemplo, podem contaminar outros materiais, fazendo com que todo o lote seja classificado como rejeito.

Por essa razão, a orientação é que os moradores realizem uma triagem inicial básica, dividindo os resíduos em duas categorias: orgânicos e recicláveis.

As embalagens recicláveis devem ser, sempre que viável, higienizadas antes de serem destinadas à coleta seletiva.

Com o objetivo de promover a mudança de hábitos na população, a Secretaria do Meio Ambiente executa ações contínuas de educação ambiental ao longo do ano.

Mariana realçou a relevância de focar o trabalho educacional nas crianças, que podem transportar os conhecimentos aprendidos na escola para seus lares.

A programação envolve atividades durante eventos como a Semana da Árvore e a Semana do Lixo Zero, abordando temas como destinação de resíduos, prevenção de queimadas e preservação ambiental.

"É gratificante observar os resultados com as crianças. Gostaríamos que os adultos tivessem a mesma capacidade de assimilar e aplicar esses conhecimentos", expressou.

A entrevista também abordou o problema do descarte de animais falecidos em terrenos e espaços públicos.

Segundo Mariana, uma empresa foi contratada para realizar a remoção de animais, inclusive diretamente nas residências. Este serviço é oferecido gratuitamente à população e funciona também à noite, em fins de semana e feriados.

A secretária aconselhou os cidadãos a consultarem os canais oficiais da Prefeitura para obterem os contatos do serviço.

Ela explicou que, durante a coleta, é realizado um procedimento de registro, pesagem e identificação, visando controlar o serviço prestado pela empresa contratada pelo município.

Para Mariana, a luta contra o descarte irregular não recai apenas sobre o poder público.

A secretária pontuou que, embora a maioria da população descarte o lixo corretamente, uma minoria causa impactos negativos que afetam todo o município.

"São poucos os que agem de forma incorreta. A grande maioria faz o certo. Por isso, pedimos àqueles que fazem o certo que nos ajudem a coibir os que estão agindo de forma errada", declarou.

Ela ainda reforçou a relevância da mídia e das campanhas de conscientização para manter o tema em pauta.

"Se não acreditássemos em uma solução e na mudança de atitude das pessoas, não continuaríamos tentando incessantemente. Mas não vamos desistir", ela assegurou.

Mariana fez um apelo específico aos moradores, considerando a Festa do Folclore, que atrai a população por quatro dias.

A recomendação é que os participantes utilizem as lixeiras e tambores dispostos no local do evento, evitando descartar copos, papéis, sobras de alimentos e outros dejetos no chão.

Conforme a secretária, o comportamento da população durante a festa servirá como um indicativo de sua responsabilidade ambiental.

"Descarte o lixo de forma apropriada", solicitou Mariana, reiterando que a manutenção da limpeza e organização da cidade depende da colaboração dos cidadãos.

Original em RCN 67

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