Curadoria Inteligente
29/08/2026 | 5 min leitura

Apreensão de maconha em Três Lagoas auxilia PF a desmantelar esquema milionário de tráfico

Uma apreensão de maconha em Três Lagoas foi crucial para a PF desmantelar um esquema milionário de tráfico interestadual. A Operação Little Bag prendeu quatro e bloqueou bens.

Apreensão de maconha em Três Lagoas auxilia PF a desmantelar esquema milionário de tráfico

A Polícia Federal desarticulou uma organização criminosa de tráfico interestadual, responsável por movimentar toneladas de maconha, impulsionada por uma apreensão crucial em Três Lagoas.

Investigação da Operação Little Bag aponta organização que utilizava cargas lícitas para esconder drogas

A interceptação de 978,7 quilos de maconha na BR-262, em Três Lagoas, ocorrida em outubro de 2025, representou um dos pilares que auxiliaram a Polícia Federal a identificar uma organização criminosa. Este grupo é investigado pelo transporte de grandes carregamentos de entorpecentes entre diferentes estados.

O caso está inserido na investigação que culminou na Operação Little Bag, deflagrada nesta quinta-feira, 27. A ação resultou na prisão de quatro suspeitos em Dourados e Sidrolândia. Conforme a Polícia Federal, o esquema envolvia o uso de caminhões que transportavam cargas lícitas como disfarce para ocultar os entorpecentes durante as viagens.

De acordo com a decisão judicial que autorizou a operação, a organização criminosa teria movimentado mais de quatro toneladas de maconha em diversas ocorrências registradas ao longo de 2025. O Ministério Público estima que as cargas apreendidas naquele período somam um valor aproximado de R$ 8 milhões.

Quase uma tonelada foi interceptada em Três Lagoas

Um dos episódios considerados fundamentais para a investigação aconteceu em 10 de outubro de 2025, na rodovia BR-262, em Três Lagoas. Naquela ocasião, Uanderson de Paula Silva, conhecido como "Montanha", foi detido ao transportar 978,7 quilos de maconha, que estavam escondidos em meio a uma carga de óleo vegetal.

A prisão de Uanderson chamou a atenção dos investigadores. A partir da análise dos aparelhos celulares apreendidos nas ocorrências, a Polícia Federal começou a identificar e conectar diferentes pessoas envolvidas no transporte das drogas.

Segundo a investigação, Uanderson teria tido participação ativa na negociação de fretes e na busca por cargas legais que pudessem servir como cobertura para o transporte dos entorpecentes. As informações obtidas posteriormente também indicaram que o esquema não se restringia a uma única carga ou a um grupo criminoso isolado.

Caminhões com cargas legais eram usados como fachada

Conforme os dados da Polícia Federal, a organização investigada possuía uma estrutura bem-definida, com divisão de diferentes funções.

Um dos principais nomes apontados é Ermenson Eder Rech, conhecido como "Irmão Kina". A investigação indica que ele seria o responsável pela coordenação logística, que incluía a organização dos carregamentos, as despesas dos caminhões e a ocultação das drogas.

A investigação também aponta Maycon Cavalheiro Rodrigues, apelidado de "Sacolinha", como o responsável formal pela empresa MCR Transportes. Para a PF, essa transportadora teria sido utilizada para obter fretes legítimos que serviriam de camuflagem para o transporte de drogas.

Outro investigado, Evandro Geovani Rech, também conhecido como "Kina", é apontado como integrante da estrutura de apoio e teria exercido a função de "batedor", acompanhando veículos carregados com drogas para monitorar possíveis fiscalizações.

Já Murilo dos Santos Novo, conhecido como "Murilo Primo", aparece na investigação como um dos integrantes do apoio logístico aos transportes da organização.

Três Lagoas surge em uma das principais rotas investigadas

A apreensão realizada na BR-262 posiciona Três Lagoas no percurso de uma das operações investigadas pela Polícia Federal.

Segundo o inquérito, após a prisão de Uanderson, os investigadores passaram a monitorar a movimentação de veículos relacionados ao esquema criminoso. Um dos caminhões rastreados saiu de Dourados, retornou posteriormente e seguiu em direção ao Estado de São Paulo.

Dias depois, outro grupo foi detido transportando 3,5 toneladas de maconha, reforçando, segundo a PF, a suspeita de que os veículos e motoristas estavam inseridos em uma estrutura organizada para o transporte interestadual de grandes quantidades de entorpecentes.

A investigação aponta ainda que os criminosos utilizavam recursos como GPS, internet via satélite, veículos de apoio e a troca frequente de celulares para dificultar o trabalho das autoridades.

Prisões e bloqueio de milhões

Nesta quinta-feira, 27, a Justiça decretou a prisão preventiva de quatro homens. Mandados foram cumpridos em Dourados e Sidrolândia, além de buscas e medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores.

Durante as diligências na residência de Ermenson, os policiais encontraram R$ 159.750 em dinheiro, US$ 100 e seis aparelhos celulares. Também foram apreendidos documentos e chaves relacionadas a um caminhão.

A Justiça determinou, ainda, o bloqueio de valores atribuídos aos investigados, além do sequestro de veículos e outros bens.

A Polícia Federal continua analisando documentos, celulares e demais materiais apreendidos, com o objetivo de identificar outros possíveis integrantes da organização e esclarecer toda a extensão do esquema.

É importante ressaltar que os nomes citados são investigados pelas autoridades e as acusações ainda serão submetidas ao devido processo legal para apuração.

Original em Radio Caçula

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