O Mato Grosso do Sul se destaca como o principal polo da indústria de celulose no país, sendo chamado de “Vale da Celulose”. Com investimentos que ultrapassam R$ 63 bilhões, o estado espera um aumento de 9 milhões de toneladas por ano na produção, além do crescimento das áreas de plantio de eucalipto.
A região concentra operações de grandes empresas, como Suzano e Eldorado Brasil em Três Lagoas, e a nova fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo. A expansão continua com a Arauco, que está construindo uma megafábrica em Inocência, e a Bracell, que planeja iniciar obras em Bataguassu, provavelmente em 2026.
Falta de mão de obra é gargalo
O rápido crescimento dos investimentos revelou um problema: a falta de profissionais qualificados. Mesmo com parcerias com o Sistema S, principalmente o SENAI, a oferta não é suficiente para atender à demanda.
A colaboração entre empresas e instituições de ensino começou há cerca de 20 anos e se intensificou com o tempo. Atualmente, só o projeto da Arauco capacita mais de 500 pessoas. No entanto, as empresas têm dificuldade em preencher vagas e buscam trabalhadores de outras cidades.
A percepção no mercado é de que há mais vagas do que profissionais. A oferta de empregos é constante, indicando um cenário de pleno emprego no setor.
Crescimento econômico e pressão social
A expansão da celulose impulsionou a economia local. O comércio cresce, novos negócios aparecem e as cidades se transformam rapidamente. Em Inocência, por exemplo, a população quase triplicou devido à construção da nova fábrica.
No entanto, esse crescimento trouxe desafios estruturais. Serviços públicos como saúde e segurança sofrem com o aumento da demanda, e a moradia se tornou um problema central. Em algumas cidades, o preço de imóveis e aluguéis subiu mais de 200%.
As rodovias também são impactadas, com aumento no fluxo de veículos, tanto de trabalhadores quanto para o transporte da produção industrial.
Paradoxo do desenvolvimento
A chegada de empresas de serviços aumentou ainda mais a atividade econômica, criando um ambiente favorável ao redor da indústria de celulose. No entanto, esse progresso expôs uma contradição: quanto mais investimentos chegam, mais evidente é a falta de pessoas e infraestrutura para sustentar o crescimento.
Diante desse cenário, o Sistema S continua sendo essencial para enfrentar a falta de talentos. As empresas estão investindo não apenas em contratação, mas também em formação e retenção de profissionais.
O desafio agora é garantir que o desenvolvimento do Vale da Celulose não seja limitado pela falta de mão de obra e infraestrutura.