Um equívoco de rota transformou-se em perdas financeiras, grandes transtornos e na interrupção de um projeto social essencial dedicado a crianças atípicas em Três Lagoas.
Uma carreta com carga ficou presa em uma via de acesso a um rancho na área da Mata Cascalheira. A suspeita é que o motorista tenha seguido uma indicação errada do GPS. O incidente ocorreu na última sexta-feira, dia 12, por volta das 16h30 e 16h45, e desde então tem gerado dificuldades para os donos da propriedade.
Diógenes Marques, responsável pelo local, informou que o condutor chegou ao portão da fazenda, alegando que o GPS o havia direcionado erroneamente. Após permissão para manobrar, o veículo entrou na estrada particular sem problemas. Contudo, ao tentar subir uma inclinação para sair, a carreta acabou atolando.
Diógenes Marques comentou: “Ele entrou normalmente, mas ficou preso ao tentar subir a estrada. Em seguida, ele informou que precisava de um trator para a remoção, mas não possuímos essa estrutura”.

Evento Cancelado
O ocorrido, no entanto, foi além da simples remoção do veículo.
No sábado, dia 13, um evento especial preparado para 85 crianças atípicas teve que ser suspenso. A programação fazia parte das celebrações dos 111 anos de Três Lagoas e previa trilha ecológica, café da manhã, almoço e várias atividades de lazer.
A equipe organizadora chegou na madrugada para preparar o local, mas a via de acesso estava totalmente obstruída. A impossibilidade de acesso forçou o cancelamento de todas as atividades do projeto para o fim de semana.
Motorista teria xingado funcionários
Com a situação, funcionários tentaram conversar com o motorista e auxiliar na identificação dos responsáveis pela carga e pela transportadora. Conforme o proprietário, a tentativa de diálogo resultou em ofensas.
Diógenes relatou: “Meu funcionário me ligou, informando que estava sendo insultado. Pedi para ele colocar no viva-voz e tentei dialogar. Ao me identificar, ele reagiu com agressões verbais e xingamentos, recusando-se a fornecer informações sobre o proprietário da carga ou da empresa”.
Prejuízo Alto
Além da desilusão das famílias e das crianças que esperavam o evento, Diógenes estima um prejuízo financeiro entre R$ 7 mil e R$ 9 mil devido ao cancelamento.
Ele explicou que toda a infraestrutura para receber os participantes estava pronta. Alimentos perecíveis, como hortifrúti e bolos, insumos para as refeições, a equipe de cozinha e os serviços de limpeza já haviam sido contratados e organizados com antecedência.
Ele lamentou: “Realizamos todo o pré-preparo na sexta-feira para as crianças no fim de semana. Carnes cortadas, alimentos preparados, equipe mobilizada. Praticamente tudo foi perdido”.
PM Acionada
Conforme o relato, a Polícia Militar foi chamada após os desentendimentos.
Oficiais da Polícia Militar compareceram ao local para averiguar a ocorrência. Foi informado que o motorista sustentava estar em uma área pública e declarava que não se moveria dali durante o feriado prolongado.
Contrariando a versão do motorista, vizinhos e proprietários próximos esclareceram que a estrada é de uso privado.
Diógenes narrou: “O motorista afirmava que ninguém o removeria e que ele não perturbaria os proprietários. A Polícia Militar interveio, explicando que ele estava bloqueando um projeto social e aconselhou que os responsáveis fossem contatados”.
Tentativas de Retirada da Carreta Pioraram a Situação
As diversas tentativas de remover a carreta acabaram por agravar os estragos na estrada. Equipamentos e maquinário foram mobilizados para auxiliar, mas a conjunção do peso da carga, do solo molhado e das fortes chuvas do fim de semana complicou ainda mais o cenário.
Testemunhas da operação afirmaram que a máquina de resgate acabou remexendo o solo e aprofundando as áreas de atoleiro, o que dificultou ainda mais a remoção.
Um dos trabalhadores envolvidos na operação explicou: “A cada tentativa de puxar, a carreta afundava mais. Com a volta da chuva, a estrada virou lama, e tudo se tornou ainda mais crítico”.
EMPRESA É COBRADA POR PREJUÍZOS
Diógenes relata que a empresa Procarga, apontada como proprietária da carreta, ainda não teria entrado em contato com os donos da propriedade para discutir os prejuízos.
Além das perdas monetárias, ele exige a restauração completa da estrada, que teria sofrido danos consideráveis nas tentativas de desobstrução.
Ele declarou: “O dano não é apenas financeiro. Fomos forçados a cancelar um evento para crianças atípicas, decepcionamos famílias inteiras e a estrada ficou completamente danificada. Esperamos que os responsáveis se responsabilizem pelos estragos”.
Até o momento da conclusão desta reportagem, a carreta ainda estava no local, e novas operações de remoção estavam sendo executadas com o auxílio de máquinas e guinchos especializados.
