Curadoria Inteligente
23/06/2026 | 4 min leitura

Com facilidade para adquirir cachaça e crack, viciados relutam em aceitar ajuda e deixar o vício, e o problema parece estar longe de uma solução

O problema crônico de pessoas em situação de rua em Três Lagoas, MS, persiste. Viciados em álcool e crack têm fácil acesso e relutam em aceitar tratamento, causando transtornos aos moradores.

Com facilidade para adquirir cachaça e crack, viciados relutam em aceitar ajuda e deixar o vício, e o problema parece estar longe de uma solução

Problema de Pessoas em Situação de Rua Preocupa Moradores em Três Lagoas

A questão das pessoas em situação de rua, um problema crônico em muitas cidades brasileiras, tem gerado crescentes reclamações de cidadãos em Três Lagoas, MS. Recentemente, a situação se tornou um ponto de grande preocupação para o poder público e moradores da Rua Manoel de Oliveira Gomes, no bairro Santa Terezinha.

Na última segunda-feira, dia 22, a Polícia Militar foi acionada na Avenida Clodoaldo Garcia, em frente à Escola Estadual Dom Aquino Corrêa. Lá, dois moradores de rua estavam envolvidos em uma briga corporal, supostamente por causa de "pinga", enquanto uma mãe de aluno tentava intervir e separar os envolvidos.

Crianças, pré-adolescentes, adolescentes, pais e professores que saíam da escola por volta das 17h presenciaram a cena. A Polícia Militar chegou ao local, encerrou a briga e realizou revistas, não encontrando armas, drogas ou mandados de prisão em aberto. Os homens foram, então, orientados a se retirar do local.

Após o incidente, os dois homens, dependentes de álcool, seguiram para a área dos fundos do Ginásio Municipal de Esportes Cacilda Acre Rocha. Este local é conhecido por ser frequentado por muitos usuários de drogas e álcool, e sua presença nas calçadas tem sido motivo de constantes queixas por parte dos moradores, que relatam ter perdido a tranquilidade que antes possuíam em suas residências.

Moradores da região expressam preocupação com a sujeira e a insegurança. Eles mencionam que as refeições entregues a esses indivíduos são deixadas nas calçadas com restos de comida, atraindo mau cheiro, cães e gatos abandonados que rasgam o lixo, além de pragas como ratos (vetores de leptospirose) e baratas, que servem de alimento para escorpiões e lacraias, potenciais causadores de acidentes domésticos.

Desafios na Busca por Soluções

Apesar das frequentes abordagens realizadas pelo 2º Batalhão de Polícia Militar e das ações da Secretaria de Assistência Social de Três Lagoas, a resolução do problema das pessoas em situação de rua parece distante. A Constituição Brasileira garante aos andarilhos o direito de ir, vir e permanecer em locais públicos, desde que não estejam cometendo crimes ou possuam mandados de prisão, o que impede a remoção compulsória das calçadas e comércios. Para a Assistência Social, a questão é mais complexa, exigindo mais do que simplesmente transportá-los para abrigos ou outras cidades contra a vontade deles.

Em declarações anteriores, a Secretaria de Assistência Social já havia explicado que suas equipes realizam abordagens constantes a homens e mulheres em situação de rua com dependência de cachaça e crack. Eles são identificados e recebem informações sobre tratamentos e pontos de apoio municipais. Contudo, devido à intensidade do vício e ao fácil acesso a álcool e crack – muitas vezes adquiridos com dinheiro da mendicância ou furtos –, os profissionais enfrentam grande dificuldade em convencer a maioria desses dependentes a abandonar as ruas e o vício, e a dar continuidade aos tratamentos. Muitos interrompem o acompanhamento, deixam de buscar medicamentos e faltam às consultas, que são geralmente agendadas em locais como o CAPS AD.

Enquanto a situação persiste, a segurança pública é acionada diariamente por moradores que se sentem incomodados e impedidos de usar suas próprias áreas externas devido à sujeira, ao mau cheiro e às abordagens insistentes de dependentes químicos, que pedem dinheiro, comida e bebidas. Além disso, há relatos de pessoas em situação de rua realizando necessidades fisiológicas e até atos sexuais em público, em plena luz do dia, em frente às residências.

O poder público local, através de vereadores como Sargento Rodrigues e Fernando Jurado, tem proposto projetos de lei na tentativa de mitigar o problema. A situação ganha ainda mais relevância com a possível retomada da obra da UFN3, a fábrica de fertilizantes da Petrobras, prevista para este ano. A expectativa é de que o empreendimento gere cerca de 8 mil empregos, atraindo trabalhadores de todo o país e do exterior. Embora haja a promessa de progresso, também surge a preocupação com o aumento da população em situação de rua, da criminalidade e da sobrecarga dos serviços públicos, especialmente na área da saúde.

Original em RCN 67

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