Curadoria Inteligente
18/08/2026 | 4 min leitura

Esquema de rifas ilegais em Campo Grande movimentava R$ 100 milhões e utilizava intermediadoras para forjar licenças

Operação Rodas da Sorte desarticula esquema de rifas ilegais em Campo Grande, movimentando R$ 100 milhões. Influenciador Eduardo Razuk e mais 3 foram presos, e bens de alto valor foram sequestrados.

Esquema de rifas ilegais em Campo Grande movimentava R$ 100 milhões e utilizava intermediadoras para forjar licenças

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul desarticulou um esquema milionário de sorteios clandestinos online, conhecido como Operação Rodas da Sorte. Em apenas seis meses, a rede chegou a movimentar mais de R$ 100 milhões.

A operação resultou no cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão, realizados em Campo Grande, João Pessoa (PB) e Rio de Janeiro (RJ).

Entre os detidos em Campo Grande estão o influenciador digital Eduardo Rezende da Silva Razuk, de 32 anos, e seu irmão, Rafael Rezende da Silva Razuk, de 36 anos. Os outros dois alvos, ligados a empresas parceiras do esquema, foram presos na Paraíba e no Rio de Janeiro.

Por ordem judicial, aproximadamente R$ 500 milhões foram bloqueados das contas bancárias dos envolvidos, e cinco imóveis foram indisponibilizados. A polícia também apreendeu dois relógios de luxo e sequestrou 22 veículos de luxo, cujo valor estimado está entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões.

Como o esquema interestadual funcionava

As investigações da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) apontaram que o esquema operava clandestinamente nas redes sociais, especialmente Instagram e YouTube, desde 2019. Contudo, a partir de 2025, com o aumento das ações policiais contra influenciadores, o grupo começou a buscar métodos para disfarçar a ilegalidade.

Pedro Cunha, delegado titular da DERCC, detalhou que a organização procurou apoio externo para falsificar autorizações e planejar a lavagem de dinheiro e ocultação de bens:

“O influenciador passou a se associar com uma empresa no Rio de Janeiro e outra na Paraíba com o intuito de dar uma falsa roupagem lícita às rifas ilegais que praticava e sofisticar a forma de lavagem de dinheiro. As empresas eram utilizadas como forma de intermediar e fazer com que se aparentasse que tinha uma autorização que, na verdade, era ilegal.”

As investigações apontaram que o influenciador realizava até dois sorteios semanalmente, gerando lucros consideráveis a cada divulgação.

“Ele mesmo declara abertamente em suas redes que fatura, por média, em cada uma de suas rifas, aproximadamente 1 milhão e 900 mil a 2 milhões de reais. O patrimônio dele foi todo angariado pela contravenção e ele verdadeiramente enriqueceu às custas disso”, afirmou o delegado.

A legislação sobre sorteios com fins lucrativos

No Brasil, a legislação proíbe a venda de cotas ou rifas com finalidade de lucro privado. A autoridade policial informou que tal prática é permitida apenas em situações específicas de filantropia e mediante aprovação prévia da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda:

“Rifas no Brasil não podem ser praticadas com finalidade lucrativa. O que se permite são modalidades muito bem delineadas, com finalidade filantrópica e mediante autorização formal. Aqui a finalidade era exclusivamente o lucro. Qualquer que seja o nome que se dê, mesmo que chamem de ‘ação’, no fim das contas é prática de rifa ilegal.”

A Polícia Civil esclareceu que os compradores de boa-fé, que adquiriram cotas acreditando na legalidade dos sorteios, não enfrentarão responsabilidade criminal.

Crimes investigados e andamento das apurações

Os indivíduos presos são acusados de loteria não autorizada, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ivan Barreira, diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), ressaltou que as investigações se intensificaram após uma denúncia anônima e que não foram encontrados indícios de ligação entre o influenciador de Mato Grosso do Sul e facções criminosas:

“Houve um aprofundamento das investigações, fomos atrás dos órgãos competentes e acompanhamos os passos deles. Conseguimos uma robustez de provas bem maior para desarticular esse esquema no Estado.”

Com a apreensão de celulares, computadores e documentos em 13 locais, a polícia agora prossegue com a análise dos arquivos digitais para determinar a amplitude das transações financeiras e identificar possíveis novos participantes.

Original em RCN 67

No treslagoas.com, respeitamos os direitos autorais e o trabalho jornalístico local. Nossa IA gerou este resumo original para facilitar sua leitura, mas convidamos você a prestigiar a fonte original completa.