Pesquisa da UFMS analisa impacto do desenvolvimento na saúde em cidades do leste do Estado
Um estudo inédito sobre a prevenção ao HIV está sendo realizado em cidades do leste de Mato Grosso do Sul, impulsionadas pela expansão da indústria de celulose. O antropólogo Guilherme Passamani, da UFMS, lidera a pesquisa, focando no acesso e uso da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV) nos municípios do corredor da celulose.
O projeto, intitulado “Uma etnografia sobre a PrEP ao HIV na Rota da Celulose em Mato Grosso do Sul”, conta com investimento de R$ 80 mil da Fundect e terá duração de dois anos.
A metodologia da pesquisa é qualitativa, utilizando o método etnográfico com observação de campo, entrevistas e interação com os participantes. O objetivo é entender a fundo como a prevenção ao HIV é acessada e administrada nas cidades que passaram por transformações nos últimos anos.
Segundo Passamani, o estudo pretende verificar como o SUS tem atuado na expansão da profilaxia no interior do Estado. Ele destaca que a PrEP, geralmente introduzida em grandes centros urbanos, pode ter uma demanda acelerada nas cidades da rota da celulose.
A pesquisa abrangerá municípios como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Paranaíba e Inocência, onde a medicação já é dispensada. A equipe está em contato com gestores locais e submeterá o projeto ao comitê de ética.
O crescimento acelerado, impulsionado pela indústria, alterou a dinâmica social dos municípios do corredor da celulose. O aumento populacional, especialmente masculino, pode impactar a demanda por serviços de saúde e políticas de prevenção. Em Ribas do Rio Pardo, a população aumentou significativamente durante a construção da fábrica da Suzano. Em Inocência, a obra da Arauco atraiu muitos trabalhadores.
Esse cenário pode criar desafios para o sistema público de saúde, principalmente na prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. O estudo também investigará mudanças em comportamentos sociais e nas relações que podem influenciar a exposição ao vírus.
A pesquisa também busca entender se o perfil dos usuários da PrEP muda em contextos de interiorização, já que atualmente o acesso ao medicamento é mais comum entre homens gays, jovens, brancos, escolarizados e de classe média.
O objetivo é verificar se esse perfil se mantém restrito ou se amplia em regiões com forte presença de trabalhadores migrantes e rápidas mudanças sociais.