Mato Grosso do Sul se sobressai no panorama nacional de combustíveis, atingindo 100% de competitividade do etanol hidratado frente à gasolina em todos os municípios analisados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Este cenário local reflete uma tendência do mercado brasileiro: o valor médio do biocombustível alcançou sua melhor vantagem em comparação com o combustível fóssil nos últimos oito anos, com níveis de competitividade nacional inéditos desde 2018.
Abastecimento Estruturado e Economia para o Consumidor
Conforme dados semanais da ANP, estados que possuem uma robusta cadeia sucroenergética, logística bem estabelecida e oferta organizada – como Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais – conseguem repassar o benefício econômico mais rapidamente aos consumidores nos postos de gasolina.
Em comunicado oficial, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) enfatizou a relevância dessa infraestrutura regional: “Esse resultado demonstra que, em locais com maior atuação da cadeia sucroenergética, oferta bem estruturada e logística eficiente, o benefício alcança o consumidor de maneira eficaz na bomba.”
A redução nos preços do combustível renovável tem sido impulsionada por uma diminuição contínua nos valores praticados pelas usinas. Estudos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP) revelam que as usinas aceleraram a moagem da cana-de-açúcar, provocando uma queda de 4,51% nos preços do etanol hidratado nas produtoras em julho.
Com o aumento da oferta de cana e a expansão da produção de etanol de milho, o Brasil projeta uma safra recorde na região Centro-Sul para a temporada 2026/27, exercendo pressão sobre os preços no atacado. “A urgência financeira de comercialização por parte de algumas unidades produtoras também influenciou o cenário dos preços”, observou o Cepea em sua análise.
No setor varejista, os valores médios do etanol nos postos do Brasil tiveram uma retração de aproximadamente 2% em julho em relação a junho, segundo informações de transações coletadas pela ValeCard.
Paridade Regional Beneficia o Centro-Sul
A proporção de preços entre o biocombustível e o combustível fóssil difere conforme as especificidades logísticas de cada estado. Em São Paulo, que representa o maior mercado consumidor do país, a paridade média entre os combustíveis alcançou 57,9%.
No estado de São Paulo, o etanol hidratado teve um preço médio registrado de R$ 3,70 por litro, enquanto a gasolina comum custou R$ 6,39 por litro.
Em Mato Grosso do Sul, a relação se mostrou ainda mais vantajosa para os motoristas, com uma paridade média de 55,0%. Nos postos sul-mato-grossenses, o etanol foi vendido a R$ 3,74 o litro e a gasolina a R$ 6,80 o litro, resultando em uma diferença nominal de R$ 3,06 entre os dois.
Mistura E32 Aumenta Segurança e Diminui Importações
Além dos benefícios do etanol para os proprietários de veículos flex, o mercado brasileiro de combustíveis está vivenciando uma significativa mudança macroeconômica. A partir de 1º de agosto de 2026, a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina comercializada no Brasil foi elevada de 30% para 32%, passando a ser chamada de E32.
Esta medida está em consonância com as diretrizes da Lei do Combustível do Futuro, que visa fomentar uma mobilidade sustentável e de baixa emissão de carbono.
Essa alteração diminui consideravelmente a dependência brasileira de produtos derivados de petróleo importados. Em 2025, o Brasil importou aproximadamente 3,5 bilhões de litros de gasolina. Com a implementação do E32, projeta-se uma redução na necessidade de importação de gasolina entre 800 milhões e 1 bilhão de litros anuais.
Tal redução atua como um mecanismo de proteção para os custos dos combustíveis no país, mitigando os efeitos de instabilidades e volatilidades geopolíticas no mercado global.
Para Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial e Regulação da Unica, essa modificação reforça o mercado nacional de forma sustentável:
“A elevação da participação do etanol na matriz energética constitui uma opção eficaz para substituir o combustível fóssil, que é importado e mais custoso, por um biocombustível produzido internamente. Isso gera renda, empregos, economia para o consumidor e menor emissão de gases de efeito estufa.”
SERVIÇO AO LEITOR: Entendendo a Paridade e Por Que Menos é Mais
Para determinar se o etanol oferece mais vantagens que a gasolina, a metodologia convencional emprega o diferencial técnico de rendimento de 73%. O cálculo é direto: divida o preço do etanol pelo preço da gasolina.
- Se o valor obtido for inferior a 0,73 (ou 73%), abastecer com etanol é mais benéfico financeiramente.
- Caso o resultado seja superior a 0,73, a gasolina apresenta maior compensação.
Por que a paridade de 55,0% em Mato Grosso do Sul é considerada “mais vantajosa” do que os 57,9% registrados em São Paulo?
Muitos condutores se enganam ao pensar que uma porcentagem maior indica uma vantagem superior; no entanto, na realidade, quanto menor for a porcentagem da paridade, maior será a economia efetiva para o consumidor.
- Em São Paulo (paridade de 57,9%): O etanol, custando R$ 3,70, corresponde a 57,9% do preço da gasolina, que é R$ 6,39. O condutor economiza aproximadamente 42,1% por litro, em comparação com o limite técnico de rendimento. A Unica salienta que, aplicando o rendimento de 73%, o preço equivalente do etanol hidratado seria de R$ 5,07/litro. “Isso assegura ao consumidor uma economia real de R$ 1,32 por litro percorrido, totalizando R$ 79,29 de economia ao considerar um tanque de 60 litros.”
- Em Mato Grosso do Sul (paridade de 55,0%): O etanol, comercializado a R$ 3,74, representa apenas 55% do valor da gasolina, que está a R$ 6,80. Neste caso, o consumidor economiza 45% por litro, o que torna o biocombustível ainda mais acessível em relação ao fóssil, se comparado ao cenário paulista.