Curadoria Inteligente
05/09/2026 | 4 min leitura

Nova legislação de fertilizantes destaca relevância da UFN3 em Três Lagoas

Com aporte superior a R$ 5 bi, fábrica UFN3 deve operar em 2029 e suprir cerca de 16% da demanda nacional de ureia.

Nova legislação de fertilizantes destaca relevância da UFN3 em Três Lagoas

A sanção da lei instituidora do Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) evidencia ainda mais a relevância da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), situada em Três Lagoas, para a estratégia do Brasil em diminuir a dependência de insumos importados.

A nova norma, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva contando com um veto, traz diretrizes para fomentar a fabricação interna de fertilizantes, de matérias-primas sintéticas, minerais e orgânicas, além de remineralizadores, bioinsumos e biofertilizantes.

O programa tem entre seus propósitos o corte da dependência externa, a consolidação da segurança alimentar e nutricional, a redução nos custos da cadeia do agronegócio e a garantia de um abastecimento mais constante de adubos para o campo.

Entre as previsões está o acréscimo progressivo de fertilizantes de fabricação nacional na mistura comercializada internamente. A partir de julho de 2027, o índice obrigatório mínimo será de 2%, alcançando 10% até janeiro de 2037.

UFN3 assume caráter estratégico

A criação do Profert acontece pouco mais de dois meses após Lula firmar, em 25 de junho, os contratos voltados à finalização da UFN3, obra que permanecia paralisada desde 2015 e que faz parte do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A retomada do complexo foi validada pela Petrobras depois que uma nova análise técnica e econômica atestou a viabilidade do projeto. Na oportunidade, o presidente salientou a importância da planta para expandir a autonomia brasileira na produção de fertilizantes.

Reunindo investimentos superiores a R$ 5 bilhões, a conclusão da UFN3 figura como um dos principais projetos do setor no país, tendo o potencial de transformar Três Lagoas em um polo nacional relevante da indústria.

Unidade prevê produzir 1,3 milhão de toneladas anuais

A expectativa aponta o início das operações comerciais da UFN3 para o ano de 2029. Em pleno funcionamento, a planta deve gerar cerca de 3,6 mil toneladas de ureia granulada e 2,2 mil toneladas de amônia todos os dias.

A capacidade estimada por ano chega a aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de ureia, montante correspondente a cerca de 16% do total consumido pelo país.

A produção terá forte impacto no agronegócio do Centro-Oeste. Dados do Palácio do Planalto indicam que a área absorve cerca de 40% da demanda nacional por ureia, puxada sobretudo pelas plantações de milho, cana-de-açúcar, algodão e pelas pastagens.

Três Lagoas no centro da estratégia nacional

A localização da UFN3 também é tratada como estratégica. A proximidade com grandes regiões agrícolas deve otimizar o abastecimento e diminuir os gastos com logística para produtores de estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.

Para o município três-lagoense, a retomada da estrutura consolida a cidade como um dos principais nós da cadeia de fertilizantes brasileira, impulsionando a economia regional e atraindo novos negócios industriais e logísticos.

Atualmente, o grupo de fertilizantes da Petrobras inserido no Novo PAC engloba quatro plantas: Fafen-BA, Fafen-SE, ANSA e UFN3.

O governo projeta que, com todas essas unidades em funcionamento, a Petrobras consiga suprir cerca de 35% do mercado interno de ureia até 2029, alinhando-se ao objetivo de mitigar a dependência histórica de importações e fortalecer os insumos nacionais para o agro.

Dessa forma, a UFN3 ultrapassa o status de empreendimento industrial local e assume um papel central dentro da diretriz federal de segurança alimentar e fomento à produção de fertilizantes no Brasil.

Original em Radio Caçula

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