Curadoria Inteligente
23/02/2026 | 4 min leitura

Petrobras avança com projeto de fertilizantes UFN-3 em Três Lagoas, aguardando aprovação final para retomada das obras

Petrobras planeja retomar obras da UFN-3 em Três Lagoas, com aprovação final prevista para 2026 e conclusão em 2029.

Petrobras avança com projeto de fertilizantes UFN-3 em Três Lagoas, aguardando aprovação final para retomada das obras

A Petrobras comunicou ao Jornal do Povo que o projeto da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-3), situada em Três Lagoas, encontra-se na fase de contratação para finalização da fábrica. A estatal informou que a aprovação derradeira dos investimentos pelas instâncias internas competentes está programada para o primeiro semestre de 2026, marco considerado fundamental para viabilizar a retomada das obras ainda neste ano.

Na prática, a manifestação sinaliza que o empreendimento mantém-se dentro do planejamento estratégico da empresa, porém ainda carece de autorização formal da diretoria executiva e do Conselho de Administração para a liberação definitiva dos recursos.

Licitações
A etapa de licitações teve progresso no término do ano anterior, com a abertura dos envelopes dos primeiros conjuntos de obras. A Petrobras organizou um total de 11 processos licitatórios para a UFN-3, com o prazo de recebimento das propostas encerrado em dezembro.

A estatal decidiu por segmentar o empreendimento em diferentes lotes, um modelo que aumenta a participação de fornecedores, incentiva a competitividade e busca a diminuição de custos. Os pacotes abrangem drenagem, pavimentação e RACI; edifícios administrativos, laboratórios e oficinas; seção LT 138 kV e subestação de entrada; interligações; sistemas de águas e efluentes; energia; amônia e estocagem; ureia melt e granulação; estocagem e expedição; sistema de manuseio e automação.

Conforme a diretoria, o aumento do número de participantes por lote é considerado um fator positivo para a segurança contratual e o controle de preços.

Retomada
Apesar do processo de contratação estar em curso, o reinício físico das obras está previsto para 2027. A estimativa inicial era concluir a contratação das empresas executoras em 2025, mas o encerramento das concorrências deverá ocorrer no primeiro trimestre de 2026.

O cronograma atualizado prevê a conclusão da UFN-3 para 2029. A Petrobras considera a possibilidade de adiantar a entrega das obras para 2028, caso o ritmo das licitações e da futura execução se mantenha regular, mas ressalta que adota projeções cautelosas para evitar novos atrasos.

A reprogramação do calendário aconteceu devido à alta demanda simultânea de licitações no ano anterior. A estatal priorizou, inicialmente, a Refinaria Abreu e Lima, seguida pelo Projeto Boaventura, colocando a UFN-3 na sequência do cronograma de investimentos.

Investimento
O Conselho de Administração da Petrobras aprovou a retomada do projeto em outubro do ano passado, após uma revisão que confirmou sua viabilidade econômica. O investimento estimado para a conclusão é de aproximadamente R$ 3,5 bilhões, o que equivale a mais de US$ 800 milhões.

O empreendimento está integrado ao Plano Estratégico 2050 e ao Plano de Negócios 2026-2030 da companhia, que aloca US$ 15,8 bilhões em investimentos em Refino, Transporte, Comercialização, Petroquímica e Fertilizantes, incluindo a planta de Três Lagoas.

Além da UFN-3, unidades como Fafen-BA, Fafen-SE e Araucária Nitrogenados também receberão aportes para garantir a continuidade operacional.

Histórico
As obras da UFN-3 tiveram início em 2011 e estão paralisadas desde 2014, com 81% da estrutura já concluída. O projeto tem como objetivo uma capacidade anual de produção de 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia.

A localização estratégica em Três Lagoas visa atender regiões agrícolas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo, contribuindo para aumentar a oferta nacional de fertilizantes e diminuir a dependência de importações.

Com a indicação de que a decisão final de investimento deve ocorrer até o primeiro semestre de 2026, o projeto retorna ao centro das expectativas econômicas do município, embora a retomada efetiva das obras ainda dependa da aprovação definitiva da estatal.

Original em RCN 67

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