A possível retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-3) já está movimentando os setores produtivos de Três Lagoas, fortalecendo as perspectivas de expansão econômica para a cidade. A expectativa é de um aumento no fluxo de pessoas, atração de novos investimentos e um impacto direto em áreas como alimentação, hospedagem, vestuário e outros serviços.
Diego Barbosa, presidente da Associação Comercial, acredita que o empreendimento tem o potencial de alavancar a economia regional. Segundo ele, projetos de grande magnitude costumam atrair empresas de outras localidades, expandir a criação de empregos e incentivar o consumo local, estabelecendo um ambiente mais propício para os negócios, principalmente considerando a instabilidade econômica atual.
No comércio varejista, a expectativa também é de crescimento. Sueide Silva Torres, presidente do Sindicato do Comércio Varejista, ressalta que a chegada de trabalhadores e empresas tende a aumentar a demanda por produtos e serviços, refletindo diretamente no faturamento. A avaliação é de que grandes obras funcionam como um motor de fortalecimento da economia local, mesmo diante de desafios como a concorrência do comércio online.
No setor imobiliário, os efeitos já se fazem sentir antes mesmo do reinício da obra. Pedro Provenzano, presidente interino da Associação dos Corretores de Imóveis de Três Lagoas, afirma que o mercado está em um momento de expansão, impulsionado pela chegada de novas famílias e pelo crescimento industrial da região.
Segundo ele, o município registra um aquecimento de aproximadamente 30% no mercado imobiliário, tanto nas vendas quanto nas locações, com maior pressão sobre os imóveis destinados ao aluguel. No entanto, a oferta não consegue acompanhar a demanda. Há uma carência de imóveis disponíveis, o que tem incentivado investidores a apostarem na construção de casas, kitnets e apartamentos.
Provenzano salienta que a valorização dos imóveis também tem sido expressiva, com aumentos entre 20% e 30% em um período de um ano. No caso dos aluguéis, o reajuste é ainda mais notável. Imóveis que antes eram alugados por cerca de R$ 1 mil agora custam entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil, refletindo a alta procura e o déficit habitacional.
Nos últimos seis meses, mais de 300 famílias chegaram a Três Lagoas, e a expectativa do setor é de que esse número ultrapasse mil famílias ao longo do próximo ano. A oferta limitada de moradia em municípios vizinhos, como Inocência, também contribui para esse movimento, direcionando trabalhadores para Três Lagoas.
Apesar do cenário positivo, o setor aponta para desafios, principalmente relacionados à mão de obra na construção civil. Mesmo assim, a avaliação é de que a cidade está preparada para receber novos investimentos e acompanhar o crescimento projetado com a possível retomada da UFN-3.