Curadoria Inteligente
27/07/2026 | 3 min leitura

Super El Niño poderá expandir a oferta de grãos no Brasil, indica pesquisa

Estudo da Allianz sugere que Super El Niño entre 2026-2027 pode alavancar produção de grãos no Brasil, ampliando a oferta global, mas alerta para impactos desiguais e alta de 5% nos preços.

Super El Niño poderá expandir a oferta de grãos no Brasil, indica pesquisa

Uma possível ocorrência de Super El Niño, prevista para os anos de 2026 e 2027, tem o potencial de impulsionar a produção de grãos no Brasil e, consequentemente, aumentar a disponibilidade de commodities agrícolas no mercado global. Essa análise provém da área de pesquisa econômica da Allianz, que classifica o fenômeno como um dos mais fortes observados desde o período de 2015-2016.

O relatório destaca que, enquanto nações asiáticas podem sofrer com a redução da produção agrícola e consequente pressão nos preços dos alimentos, o Brasil e a Argentina estão propensos a experienciar condições climáticas mais benéficas para determinadas culturas.

Efeitos variam entre as regiões

Apesar de um panorama otimista para uma parcela da produção, os desdobramentos não se manifestarão de maneira homogênea em todo o território brasileiro.

A pesquisa aponta que, embora algumas regiões agrícolas possam experimentar aumentos na produtividade, o Norte do Brasil é identificado como uma das áreas com maior propensão à seca. Desse modo, a performance da próxima safra será diretamente influenciada pela distribuição das precipitações e pelas condições climáticas específicas de cada localidade.

Setores do agronegócio acompanham o fenômeno

O estudo enfatiza que diversas vertentes do agronegócio estão suscetíveis a serem impactadas pelo Super El Niño.

No campo da agricultura, culturas importantes como soja, milho, café e cana-de-açúcar são as mais vulneráveis a alterações nos padrões de chuva. Por sua vez, na pecuária, as mudanças nas pastagens podem afetar diretamente a nutrição do gado e os custos operacionais.

Para o segmento de laticínios, tanto a abundância quanto a escassez de chuvas representam um risco para a redução da disponibilidade de forragem e, consequentemente, para a produtividade.

Alimentos podem encarecer globalmente

Apesar da perspectiva de o Brasil conseguir aumentar a produção de certas culturas, a pesquisa adverte sobre um potencial encarecimento dos alimentos em escala mundial.

Conforme projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), um evento de El Niño de intensidade comum pode resultar em um aumento de aproximadamente 5% nos preços internacionais dos alimentos ao longo de um período de doze meses.

A Ásia é identificada como a região de maior vulnerabilidade, em virtude do risco de secas e da diminuição da produção agrícola. Em certas nações, tal cenário pode inclusive motivar a imposição de restrições às exportações, visando assegurar o abastecimento da população local.

No contexto brasileiro, os efeitos inflacionários estarão condicionados à gravidade do fenômeno climático e à sua repercussão sobre a produção do setor agrícola.

Economia real será mais impactada que os mercados financeiros

A Allianz avalia que um Super El Niño, por si só, não deverá causar grandes alterações nos mercados financeiros globais. Historicamente, as bolsas de valores reagem mais a fatores macroeconômicos, como taxas de inflação, juros e crescimento econômico, do que diretamente a fenômenos climáticos.

O impacto mais significativo é projetado para a economia real, com especial atenção à produção agrícola, aos preços dos alimentos e à receita dos produtores rurais. Dessa forma, a evolução do clima será um elemento crucial para o desempenho do agronegócio nos meses vindouros.

Original em RCN 67

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