O município de Três Lagoas esconde uma peculiaridade pouco conhecida: cinco espécimes de tatu-canastra já foram capturados e recebem monitoramento de um projeto de conservação dentro das dependências do Parque Natural Municipal do Pombo. O caso mais recente envolve uma fêmea de 26 quilos chamada Flora, capturada no domingo anterior (6).
Flora integra um grupo bastante restrito, representando o 55º tatu-canastra monitorado pelo Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) desde a implantação do programa. Desse total, 45 exemplares pertencem ao Pantanal e dez ao Cerrado. Deste grupo do Cerrado acompanhado pela iniciativa, metade reside exatamente no Parque do Pombo em Três Lagoas.
Monitoramento por tecnologia GPS
As atividades no parque, iniciadas em 2022, empregam transmissores via GPS e 80 armadilhas fotográficas. Essa infraestrutura tecnológica possibilita rastrear os deslocamentos dos animais, identificar os territórios frequentados e compreender como transitam pelos fragmentos florestais do Cerrado.
Com uma extensão de 8.032 hectares de vegetação nativa preservada de Cerrado, a unidade de conservação também serve de habitat para outras espécies da fauna, como antas, lobos-guarás e cachorros-vinagres.
Outro aspecto marcante é o porte do tatu-canastra, reconhecido como a maior espécie de tatu do planeta, podendo alcançar cerca de 1,5 metro de comprimento. Contudo, avistá-los não é tarefa simples devido aos seus hábitos essencialmente noturnos.
Papel fundamental no ecossistema
As extensas cavidades escavadas pelo tatu-canastra cumprem funções vitais para além do seu próprio abrigo. Conhecido popularmente como o “engenheiro do ecossistema”, o animal cria tocas utilizadas por centenas de outras espécies; levantamentos do ICAS apontam mais de 100 espécies de vertebrados e cerca de 300 de invertebrados que aproveitam essas estruturas.
A preservação da espécie torna-se ainda mais urgente devido ao seu ciclo reprodutivo lento, visto que as fêmeas dão à luz apenas um filhote a cada intervalo de três a quatro anos, segundo o instituto.
Dessa forma, enquanto boa parte da sociedade jamais teve contato visual com um exemplar, gigantes de até um metro e meio circulam pelas matas do Cerrado em Três Lagoas sob o acompanhamento de pesquisadores.
Fonte: TL Notícias