A implantação de projetos esportivos direcionados a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a expansão do atendimento especializado e a ambiciosa meta de reduzir significativamente as filas para consultas e terapias até o término de 2026 figuram entre as novas iniciativas planejadas para robustecer a política pública de apoio ao autismo em Três Lagoas. Tais ações foram apresentadas durante um seminário promovido pela Câmara Municipal na terça-feira (28), que reuniu representantes do poder público, entidades e especialistas para examinar os avanços e desafios no atendimento integral.
Dentre as propostas anunciadas, destaca-se a articulação com a Secretaria Municipal de Esportes, Juventude e Lazer (Sejuvel) para a criação de modalidades de esporte adaptado para autistas, uma solicitação feita pelo Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência. Essa medida visa atender principalmente adolescentes e adultos que, ao saírem da rede escolar, se deparam com uma lacuna assistencial em termos de políticas de socialização e acompanhamento.
Na área da saúde, a secretária municipal Juliana Salim declarou que o objetivo da administração é reduzir drasticamente as filas de espera até o final de 2026. Segundo ela, houve progressos na diminuição da demanda reprimida em psicologia, que passou de quase duas mil pessoas para 630 pacientes. Contudo, ainda há cerca de 700 pessoas aguardando atendimento em psiquiatria adulta.
Outra ação relevante mencionada foi o fortalecimento da rede educacional com a efetivação de 11 professores especializados em Atendimento Educacional Especializado (AEE), aprovados em concurso público. A estratégia busca assegurar a continuidade pedagógica e a estabilidade no relacionamento com os alunos.
Os anúncios ocorreram em um contexto de crescimento notável na demanda por atendimento. Dados apresentados pela Secretaria Municipal de Educação revelam um aumento de 255% no número de estudantes com TEA matriculados na rede municipal entre 2022 e 2026.
De acordo com a secretária de Educação, Ângela Brito, esse avanço exige uma expansão constante da estrutura de apoio. Atualmente, além dos professores especializados, a rede conta com psicólogos escolares e intérpretes de Libras que atuam de forma itinerante.
Durante o seminário, também foi enfatizada a importância da implementação da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPtea), um instrumento que visa garantir atendimento prioritário e facilitar o acesso a serviços públicos e privados. Apesar dos progressos apresentados, o debate expôs desafios estruturais. A pressão sobre a rede escolar, a dificuldade na contratação de profissionais especializados e a necessidade de integração entre saúde, educação e assistência social foram identificados como pontos cruciais para a construção de um atendimento contínuo e abrangente.
A presidente do Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência, Elisete Aparecida, alertou para a falta de políticas permanentes voltadas ao autista adulto e defendeu o esporte como um meio de inclusão e convivência.
O seminário, proposto pelo presidente da Câmara, vereador Tonhão, fez parte da programação do Abril Azul, mês dedicado à conscientização sobre o autismo. Segundo o vereador, as discussões servirão de base para futuras iniciativas legislativas e novas medidas de apoio às famílias.
Participaram do encontro representantes da Associação de Pais e Amigos do Autista (AMA), Apae, OAB, e das secretarias municipais de Saúde, Educação e Assistência Social. Durante o evento, também ocorreu a entrega simbólica do livro "Quando tudo se encaixa", da escritora Vivian Bega, que contém relatos e reflexões sobre o universo autista.