Pesquisas em neurociência indicam que a exposição prolongada a telas pode causar sobrecarga sensorial, alterando áreas cerebrais ligadas ao prazer, atenção e aprendizado, de forma similar a vícios.
O neurologista Oacir Rezende explica que, embora a tecnologia facilite a rotina, o uso excessivo tem prejudicado a concentração e a memória.
“Começa a ter dificuldade de reter informações. A pessoa vai buscar algo na cozinha e, quando chega lá, não lembra o que era”, exemplifica.
A fragmentação da atenção é outro impacto. O cérebro, acostumado a estímulos rápidos, tem dificuldade em manter o foco e organizar informações. No ambiente escolar, isso pode levar à queda no rendimento e dificuldades de aprendizagem.
O sono também é afetado. A exposição prolongada às telas reduz a qualidade do descanso, pois a luz azul interfere na produção de melatonina, hormônio essencial para regular o sono.
“Se usamos a tela durante o dia, o impacto é um. À noite, é outro. O ser humano foi biologicamente preparado para trabalhar durante o dia e dormir à noite. Quando usamos telas no período noturno, desregulamos totalmente esse circuito”, explica.
A falta de sono adequado prejudica o sistema linfático, responsável pela "faxina" no cérebro. Sem essa recuperação, tarefas simples e memórias recentes são comprometidas.
Embora "demência digital" não seja um diagnóstico médico, há preocupação com a redução da flexibilidade cognitiva, criatividade e capacidade de reflexão profunda.
A orientação é equilibrar o uso, limitando o tempo de tela, estabelecendo horários sem dispositivos e protegendo o período do sono.
Atividades como leitura, exercícios físicos, convivência familiar, hobbies e aprendizado de novos idiomas estimulam áreas do cérebro importantes para a memória e o desenvolvimento cognitivo.
“O ideal é usar a tecnologia como ferramenta. Terminou o trabalho, é importante buscar o mundo offline”, reforça o especialista.