Curadoria Inteligente
28/06/2026 | 3 min leitura

A ponte sobre o Rio Paraguai alcançou a marca de 90% de execução física.

A ponte internacional do Corredor Bioceânico, que unirá Brasil e Paraguai, atingiu 90% de execução, gerando expectativas econômicas e turísticas para a região.

A ponte sobre o Rio Paraguai alcançou a marca de 90% de execução física.

A construção da ponte internacional sobre o Rio Paraguai, que fará a conexão entre o município de Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai, chegou à marca de 90% de conclusão física. Esta estrutura é considerada o principal desafio de engenharia do Corredor Bioceânico, um projeto rodoviário de 3,9 mil quilômetros concebido para ligar o Porto de Santos (SP) aos terminais portuários do Norte do Chile, no Oceano Pacífico.

Mesmo que a ligação terrestre ainda não esteja aberta para o tráfego geral de veículos, o impacto econômico e o planejamento logístico já estão modificando a rotina de investimentos em Mato Grosso do Sul.

O principal ponto comercial atrativo do traçado, que atravessa Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, reside na diminuição do tempo de viagem para as exportações e importações da América do Sul com o mercado asiático, encurtando o percurso marítimo tradicional em até duas semanas.

Turismo

Embora o fluxo de cargas em grande escala dependa da entrega total da obra e da estruturação das aduanas, o setor de turismo é o primeiro a registrar uma movimentação concreta ao longo da rota na fronteira. Projeções técnicas apontam um potencial de crescimento entre 30% e 70% no fluxo turístico rodoviário nos primeiros dois anos após a inauguração oficial.

“O aumento pode ser ainda maior se houver a abertura de voos regionais. Com a mobilização dos municípios, o impacto na área turística é o primeiro a ser percebido”, explicou Danniele Paiva, assessora especial de integração do Corredor Bioceânico na Semadesc.

No consumo final, agências locais transformaram a própria construção da estrutura em um atrativo, organizando passeios náuticos e roteiros de cicloturismo. A turismóloga Annice Dias, fundadora de uma agência em Porto Murtinho, relata que a procura de estrangeiros por destinos do Estado é uma realidade antes mesmo da inauguração da pista, com paraguaios buscando roteiros em Bonito, Jardim, Bodoquena e na Capital. Para Bruno Wendling, diretor-presidente da Fundtur, a consolidação desse fluxo dependerá diretamente da desburocratização das alfândegas.

No setor de serviços e distribuição, empresários estabelecidos nas cidades que compõem o eixo da rodovia já começaram a expansão de sua capacidade instalada. O empresário Luiz Carlos Malacarne, do ramo de combustíveis em Jardim, está realizando adequações físicas para aumentar em 30% o atendimento. “Estamos nos preparando com investimentos em sistema, treinamento e infraestrutura. Vamos adquirir mais caminhões para o transporte”, afirmou.

De acordo com o secretário da Semadesc, Artur Falcette, o projeto integrado cria oportunidades para a harmonização regulatória e a implementação de medidas que facilitem o comércio entre os quatro países.

Original em RCN 67

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