Um documento interno do Partido Liberal (PL), debatido pela cúpula, veio à tona, revelando os bastidores da legenda para as próximas eleições. O mapa eleitoral, intitulado “situação nos estados”, expõe estratégias sigilosas e opiniões sobre aliados, delineando o projeto de poder da sigla, que tem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como articulador e pré-candidato à Presidência.
A reunião, organizada por Flávio Bolsonaro e aliados, visava traçar um panorama nacional. Contou com nomes como o senador Rogério Marinho (PL-RN) e Valdemar Costa Neto, presidente do PL. O documento detalhado demonstra que Flávio Bolsonaro assumiu o comando do partido, definindo a chapa do Rio de Janeiro.
Apesar da união projetada em torno de Flávio, as anotações revelam tensões estaduais, principalmente no Mato Grosso do Sul.
A bomba sul-mato-grossense
As anotações sobre o Mato Grosso do Sul demonstram o pragmatismo do PL, que planeja apoiar a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP). Para o Senado, avaliam Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL), elogiado por seu “recall” e desempenho nas pesquisas.
A grande questão do documento envolve o deputado federal Marcos Pollon, da ala bolsonarista. Uma anotação menciona um suposto pedido do Deputado: “Pollon (pediu 15 mi para não ser candidato)”.
A revelação impactou as bases do partido. Pollon reagiu com indignação, negando o diálogo com Valdemar Costa Neto e denunciando um complô para destruí-lo politicamente.
“Isso é uma campanha de assassinato de reputação porque sabem que não estou à venda e não me dobro a acordos”, afirmou Pollon, expondo a divisão entre base e direção. “Eles sabem que eu não trabalho desse jeito. Quem trabalha com militância não precisa de dinheiro”, completou.
Resposta de Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que as anotações foram deturpadas, e que a anotação era apenas para avisar ao Deputado Pollon o que estava circulando sobre ele nos bastidores.
O documento expõe a realidade da política: enquanto um acordo prévio define que Jair Bolsonaro escolherá os senadores e Valdemar os governadores, as disputas por espaço e fundos prometem conflitos nas trincheiras estaduais do PL.