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29/06/2026 | 5 min leitura

Retomada da UFN3 gera empregos, mas enfrenta o desafio de reconstruir a confiança

Com mais de R$ 5 bilhões e 8 mil empregos, a UFN3 retorna, mas precisa reconquistar a confiança de empresários e trabalhadores afetados por calotes anteriores.

Retomada da UFN3 gera empregos, mas enfrenta o desafio de reconstruir a confiança

Parada desde dezembro de 2014, a retomada da construção da UFN3 vai empregar cerca de 8 mil trabalhadores no ápice do cronograma (Foto: Perfil News).

Investimento bilionário e geração de empregos, mas o desafio da confiança

Um aporte superior a R$ 5 bilhões promete criar até 8 mil oportunidades de trabalho. Contudo, empresários e fornecedores defendem a necessidade de um planejamento robusto para evitar a repetição dos problemas enfrentados há 12 anos.

A oficialização da retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), ocorrida na última quinta-feira (25), representa um dos maiores investimentos já anunciados pelo Governo Federal para Mato Grosso do Sul. A solenidade contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ministros, parlamentares e representantes das empresas responsáveis pela conclusão do projeto.

Após aproximadamente 12 anos de paralisação, a construção será reiniciada com um investimento que supera os R$ 5 bilhões e a expectativa de gerar cerca de 8 mil empregos, entre diretos e indiretos, no auge da fase de construção. A Petrobras planeja finalizar a unidade até 2029, visando expandir a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência do Brasil em relação às importações.

O passivo que persiste na memória

Apesar do clima de esperança, a retomada da UFN3 gera apreensão entre empresários, fornecedores e trabalhadores que vivenciaram a interrupção da obra anterior.

Empresários que foram vítimas de calotes por parte do Consórcio Galvão e Sinopec realizaram inúmeros protestos, inclusive na entrada do projeto, porém a situação ainda não foi resolvida (Foto: Ricardo Ojeda/Arquivo).

Quando o projeto foi interrompido, o consórcio formado pelas companhias Galvão Engenharia e Sinopec deixou um débito milionário com fornecedores da região. Naquela época, aproximadamente R$ 65 milhões em dívidas permaneceram sem solução para diversos empreendedores locais.

Os trabalhadores também foram afetados pela paralisação das atividades.

Contudo, graças à rápida intervenção do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (Sintiespav-MS), foi possível obter na Justiça Federal o bloqueio de verbas suficientes para assegurar o pagamento dos direitos trabalhistas, prevenindo um prejuízo ainda maior para milhares de operários.

O desafio de reconquistar a confiança do mercado local

Mais de uma década se passou, e o cenário atual para as novas empresas difere significativamente daquele encontrado no início da construção da UFN3.

Muitos dos alojamentos utilizados anteriormente foram desativados ou redirecionados para atender a outros empreendimentos em Três Lagoas e arredores.

Além disso, a infraestrutura de apoio, como hotéis, restaurantes, lavanderias, oficinas mecânicas, postos de combustíveis e empresas de refeições industriais, já está comprometida com outras grandes obras em andamento.

Esse panorama leva os empresários locais a adotarem uma postura de cautela antes de fechar novos contratos.

A preocupação é compreensível, visto que muitos fornecedores ainda guardam a lembrança dos prejuízos causados pela paralisação anterior da obra.

A preocupação com a mão de obra

A contratação de trabalhadores representa outro ponto de atenção.

Embora uma das empresas construtoras tenha prometido priorizar a mão de obra local, somente ela prevê a necessidade de cerca de dois mil profissionais.

Ocorre que Mato Grosso do Sul vive um período de intenso crescimento econômico, com múltiplos grandes projetos industriais em execução.

Apenas o projeto de celulose em Inocência, por exemplo, já emprega aproximadamente 14 mil pessoas, somando-se a outras construções em todo o Estado.

Se não houver profissionais suficientes na região, a contratação de operários de outros estados será inevitável, o que, por sua vez, aumentará a demanda por alojamentos, alimentação, transporte e toda a infraestrutura de suporte necessária para acolher milhares de trabalhadores.

O fantasma de 2013 ainda paira

Em novembro de 2014, após a falta de pagamento de salários, mais de 7 mil trabalhadores do Consórcio UFN3 deflagraram uma greve (Foto: Ricardo Ojeda/Arquivo).

Aqueles que acompanharam a interrupção da UFN3 recordam-se das cenas marcantes em Três Lagoas.

Sem o recebimento de seus salários, milhares de trabalhadores permaneceram na cidade aguardando uma solução.

Foram registrados acampamentos em praças públicas, manifestações em frente ao Ministério Público, protestos na Justiça do Trabalho e até bloqueios na BR-262.

A tensão mobilizou diversos sindicatos na ocasião.

No entanto, conforme relatos de indivíduos que acompanharam a crise, muitos optaram por deixar a cidade quando a situação se agravou.

O Sintiespav continuou prestando suporte aos trabalhadores até a conclusão do processo que assegurou o pagamento de suas verbas rescisórias.

O planejamento como elemento crucial

Com a nova fase da UFN3, os representantes do setor produtivo enfatizam a importância de as empresas responsáveis estabelecerem laços firmes com os fornecedores locais, oferecerem garantias contratuais e manterem um diálogo contínuo com empresários e trabalhadores.

A avaliação é que este investimento representa uma oportunidade sem precedentes para Três Lagoas e para todo o estado de Mato Grosso do Sul.

Contudo, a experiência vivenciada há mais de uma década demonstra que o êxito da obra não dependerá apenas do montante de recursos aplicados, mas também de um planejamento eficaz, responsabilidade contratual e segurança jurídica para todos os envolvidos.

A expectativa é que, desta vez, a UFN3 seja lembrada pela geração de empregos, pelo desenvolvimento econômico e pela fortificação da cadeia produtiva regional, em vez dos prejuízos que ainda ecoam na memória de muitos empresários e trabalhadores.

Original em Perfil News

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