Curadoria Inteligente
12/03/2026 | 5 min leitura

Réus são condenados em Três Lagoas por homicídio qualificado; tese de defesa é rejeitada

Após 12 horas, júri condena trio por assassinato em Três Lagoas. Defesa não convenceu sobre motivação do crime. Penas somam até 16 anos.

Réus são condenados em Três Lagoas por homicídio qualificado; tese de defesa é rejeitada

Julgamento e Condenação

Após cerca de 12 horas de julgamento, o Tribunal do Júri, reunido nesta quarta-feira (11) no Fórum de Três Lagoas, decretou a condenação dos três réus envolvidos no homicídio de Francisco Gutemberg Vieira Pinto, de 52 anos. O crime ocorreu em dezembro de 2021, no bairro Santa Luzia, com a vítima sendo executada a tiros.

Detalhes da Sessão

A sessão foi conduzida pelo juiz Rodrigo Pedrini Marcos, com a acusação representada pelo promotor de Justiça Luciano Anechini Lara Leite, do Ministério Público. Os réus foram defendidos pelos advogados Augusto Formágio (Defensoria Pública), Marcelo Giaretta de Almeida e Eduardo Cavichioli Mondon.

O Crime

Francisco Gutemberg Vieira Pinto foi morto em 21 de dezembro de 2021, quando se dirigia a um ponto de ônibus no cruzamento das ruas Bernardino Mendes e Abraão Mattar, no bairro Santa Luzia. A investigação revelou que o autor dos disparos usou uma pistola 9mm, efetuando 17 tiros, 12 dos quais atingiram a vítima, que faleceu no local.

Acusação do Ministério Público

Durante o julgamento, o Ministério Público argumentou que o crime foi premeditado e encomendado. A denúncia apontou que Agda da Silva Xavier planejou a morte de Francisco, alegando ter sido vítima de abuso sexual por ele. No entanto, a acusação destacou que o caso não foi oficialmente registrado na polícia.

Segundo o promotor, Agda alugou a arma do crime por R$ 1.400 de um homem identificado como Kaio, dias antes da execução. A investigação também indicou que a arma foi inicialmente guardada pela avó de Florizia Batista da Silva Xavier, já falecida, antes de ser entregue a Agda.

A Execução

Conforme a denúncia, Henrique da Silva Raimundo foi o autor dos disparos. No dia do crime, ele se disfarçou de jardineiro, usando uma bicicleta, e esperou a vítima no ponto de ônibus. Quando Francisco chegou, foi abordado e morto com vários tiros, e o executor fugiu após o ataque.

Prisões e Investigação

Dias após o homicídio, Agda da Silva Xavier e familiares foram presos durante as investigações. Henrique da Silva Raimundo fugiu após o crime, sendo preso meses depois em Andradina (SP), onde permanece detido.

Versão da Defesa

Durante o julgamento, Agda da Silva Xavier negou ter planejado a execução. Ela afirmou que adquiriu a arma após ser ameaçada pela vítima em um segundo episódio de abuso, temendo por sua vida. Segundo sua versão, o sobrinho Henrique decidiu matar Francisco por conta própria, revoltado com a situação. O Ministério Público contestou essa versão, alegando que Agda orientou familiares a apagar conversas e fotos de celulares após o crime, para dificultar as investigações.

A defesa solicitou aos jurados a absolvição da acusação de homicídio triplamente qualificado, sugerindo uma condenação por homicídio privilegiado, devido a forte abalo emocional. Também pediu absolvição pelo crime de fraude processual, argumentando que a ré tinha o direito de não produzir provas contra si.

Participação de Florizia

A ré Florizia Batista da Silva Xavier, presa provisoriamente, declarou em depoimento que não tinha conhecimento de nenhum plano para executar a vítima. Ela também afirmou não saber do suposto abuso sexual relatado por Agda. Segundo sua versão, após o crime, apenas concordou em devolver a arma ao proprietário, para evitar que sua avó se envolvesse em problemas com a Justiça. A defesa pediu sua absolvição das acusações de homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma de fogo e fraude processual.

Decisão dos Jurados

Reunidos em sala secreta, os jurados decidiram pela condenação dos três acusados.

Condenações

Henrique da Silva Raimundo:

  • Homicídio triplamente qualificado: 14 anos
  • Porte ilegal de arma de fogo: 2 anos e 10 dias
  • Total: 16 anos de reclusão

Agda da Silva Xavier:

  • Homicídio triplamente qualificado: 14 anos
  • Porte ilegal de arma de fogo: 2 anos e 10 dias
  • Fraude processual: 2 meses
  • Total: 16 anos e 10 meses de prisão

Florizia Batista da Silva Xavier:

  • Homicídio triplamente qualificado (com redução por participação restrita ao transporte da arma): 10 anos, 10 meses e 20 dias
  • Porte ilegal de arma de fogo: 2 anos e 10 dias
  • Fraude processual: 2 meses
  • Total: 13 anos e 20 dias de reclusão

Todos os condenados permanecerão presos em regime fechado e poderão recorrer da decisão.

Relembre o Caso

O assassinato de Francisco Gutemberg Vieira Pinto ocorreu na manhã de 21 de dezembro de 2021 e causou grande repercussão em Três Lagoas. As investigações apontaram que a vítima foi surpreendida enquanto seguia para o trabalho, sendo atingida por diversos disparos em plena via pública. A Polícia Civil rapidamente identificou suspeitos ligados à vítima e apontou que o crime foi planejado e executado com participação de familiares, motivado por um suposto episódio de violência sexual relatado por uma das envolvidas. As prisões ocorreram durante as primeiras fases da investigação, e o autor dos disparos foi localizado posteriormente no interior de São Paulo.

Original em RCN 67

No treslagoas.com, respeitamos os direitos autorais e o trabalho jornalístico local. Nossa IA gerou este resumo original para facilitar sua leitura, mas convidamos você a prestigiar a fonte original completa.