Curadoria Inteligente
01/09/2026 | 4 min leitura

Segundo contrato com Barci de Moraes abrange aviões e fatura de R$ 22,8 milhões

Documento da PF revela novo contrato de Daniel Vorcaro com Barci de Moraes, incluindo cotas de aviões e helicóptero, fatura milionária e discussão sobre risco reputacional.

Segundo contrato com Barci de Moraes abrange aviões e fatura de R$ 22,8 milhões

Um segundo contrato, encontrado no celular de Daniel Vorcaro, revela uma extensão maior nas transações financeiras com o escritório Barci de Moraes.

Diferentemente das remunerações mensais anteriores, este novo relatório da Polícia Federal aponta para diálogos envolvendo a transferência de bens, cotas de aeronaves, uma fatura de R$ 22,8 milhões e debates acerca do risco de reputação associado à organização patrimonial. O contrato em questão, assinado em 12 de maio de 2025, foi estabelecido entre Barci de Moraes e a Vikings Participações Ltda. Vorcaro, no dia seguinte, encaminhou o documento para si mesmo via WhatsApp.

“Os ativos são deles… já”

As mensagens seguintes revelam discussões sobre como os ativos seriam transferidos. Uma das opções envolvia a entrega imediata dos bens e a transferência completa das cotas, com Vorcaro mantendo uma opção de recompra por R$ 1 caso o contrato de honorários não fosse cumprido. Uma segunda alternativa propunha a entrega dos ativos, mas com a transferência das cotas ocorrendo apenas após a conclusão do contrato. Vorcaro recusou a primeira proposta, declarando: “Os ativos sao deles…ja”. O relatório da PF indica que os bens estavam associados às empresas F24 e F53.

Avião e helicóptero nas negociações

A empresa F24 possuía um Legacy 650, com prefixo PP-NLR, enquanto a F53 estava em fase de compra de um helicóptero EC 155 B1, produzido pela Airbus Helicopters. Em 19 de maio, Leonardo Palhares enviou a Vorcaro um Termo de Acordo e Dação em Pagamento referente ao contrato. Uma mensagem interceptada pela PF mostra Palhares explicando que “Guilherme” havia alertado que o escritório não deveria figurar como sócio nas empresas. A alternativa discutida seria a posse direta das cotas, sem envolvimento societário em SPEs. Anteriormente, Vorcaro havia solicitado que informações sobre as aeronaves fossem enviadas a Viviane de Moraes. Uma brochura encontrada pela PF indicava os valores de US$ 5.512.951,89 para a cota do Legacy 650 e US$ 1.335.014,01 para a cota do helicóptero. Contudo, o relatório não assegura que esses montantes tenham sido os efetivamente desembolsados.

Utilização das aeronaves indicada em mensagens

As evidências avançam para julho de 2025. Em um diálogo presente no relatório, Marcos da Mata menciona uma alteração na empresa envolvida no contrato e confirma que os ativos já estavam disponíveis. Ele ainda complementa: “Já usaram aviões e helicópteros”. Posteriormente, Marcos envia a Vorcaro um print de uma conversa com Viviane de Moraes, questionando sobre a satisfação com o uso das cotas. A resposta foi: “Sim, estamos gostando muito”. Tais trechos são importantes por deslocarem o foco da discussão contratual para o uso prático dos ativos. Mesmo assim, o relatório não fornece informações suficientes para determinar quem legalmente adquiriu cada cota ou como a propriedade foi formalizada ao final da negociação.

Fatura atinge R$ 22,8 milhões

No dia 24 de julho de 2025, uma funcionária do setor financeiro comunicou a Vorcaro que Leonardo Palhares solicitava o pagamento de uma fatura emitida pelo Barci de Moraes em nome da Viking, no montante de R$ 22.815.120,95. No mesmo dia, Vorcaro indagou Palhares sobre uma possível alteração no contrato. Palhares explicou a preocupação em evitar que a empresa detentora dos ativos tivesse sócios "muito visíveis", citando um “risco reputacional grande”. Ele ainda informou que "Guilherme" consultaria sua superior para verificar a possibilidade de uma estrutura de propriedade alternativa para os ativos. Embora a menção a risco reputacional não implique automaticamente em ocultação de bens ou beneficiários — visto que estruturas patrimoniais podem ser alteradas por motivos legais — é crucial, em uma transação de milhões de reais envolvendo aeronaves executivas, esclarecer qual estrutura foi finalmente implementada, quem são os beneficiários econômicos e por qual motivo.

Avião citado novamente em agosto

Em 21 de agosto, uma colaboradora notificou Vorcaro que o Legacy PP-NLR estava agendado para voar para "Barci" no dia seguinte. Vorcaro instruiu:

“Nao deixe de atender barci”.

A sequência de contratos, pagamentos, cotas e utilização de aeronaves demonstra uma complexidade na relação que transcende um único documento. O relatório detalha as negociações, porém não completa o panorama patrimonial. Permanece sem esclarecimento definitivo quem se tornou o proprietário das cotas, quais serviços justificaram os valores envolvidos e se as estruturas propostas foram realmente concretizadas.

Original em RCN 67

No treslagoas.com, respeitamos os direitos autorais e o trabalho jornalístico local. Nossa IA gerou este resumo original para facilitar sua leitura, mas convidamos você a prestigiar a fonte original completa.