O pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), deu continuidade à sua agenda política em Campo Grande, participando do encontro “Diálogo sobre o Desenvolvimento do Brasil”, na Fiems.
Após encontro com a imprensa e líderes evangélicos, Caiado focou o debate no PIB, infraestrutura e segurança jurídica.
Apoiado nos dados de crescimento de Goiás e Mato Grosso do Sul, o presidenciável defendeu gestão técnica e uso de tecnologia para conter a esquerda na América Latina.
O evento teve a participação de lideranças empresariais e econômicas do estado.
Tecnologia e tolerância zero como modelo para o país
Em discurso, Caiado criticou a falta de projetos do governo federal e apresentou a eficiência de Goiás como resposta para 2026.
“Ganhamos em 2018, perdemos em 2022. E o estrago que foi só derrota? Não, foi muito mais que a derrota. Tudo isso é consequência de uma derrota que voltou o governo e deteriorou ainda mais as contas públicas e cada vez mais investiu no populismo sem responsabilidade. Sabe qual é a chance do PT no estado de Goiás? Nenhuma nos próximos 100 anos. Por quê? Porque a maior vacina contra o PT é saber governar.”
O governador destacou que Goiás possui legislação de inteligência artificial e usa reconhecimento facial no combate ao crime.
Caiado destacou o primeiro lugar de Goiás no Ideb e o investimento em tecnologia, criticando a cópia de modelos europeus pelo governo federal.
Crise no bolsonarismo e união no segundo turno
Questionado sobre denúncias envolvendo o bolsonarismo, Caiado defendeu sua trajetória e o pragmatismo eleitoral da centro-direita.
- O governador destacou seus 40 anos de vida pública sem nenhuma mancha ou investigação que desonre sua biografia.
- Defendeu que problemas de ordem pessoal ou partidária devem ser resolvidos pelas instâncias de ética de cada instituição, sem contaminar o debate majoritário.
- Caiado garantiu que o bloco de oposição permanecerá unido na linha de chegada: “Isso aí não vai provocar uma cizânia e nem uma ruptura do compromisso principal nosso, que é: quem chegar no segundo turno, todos nós vamos abraçar a causa para derrotar o governo nacional.”
Choque de infraestrutura: exploração imediata de recursos
O pré-candidato defendeu uma visão desenvolvimentista para o Brasil enfrentar a concorrência com a Ásia, criticando a dependência de exportação de matéria-prima para a China.
Caiado se comprometeu a destravar a infraestrutura energética e mineral caso chegue ao Planalto.
“Você acha que eu, presidente, não vou explorar a margem equatorial no mesmo dia? No mesmo dia. Você acha que com o potássio e o fósforo eu não vou explorar as minas do Brasil no mesmo dia? Isso se chama segurança alimentar, é segurança do povo.”
Ele criticou o programa “Desenrola” do governo, afirmando que a gestão atual “foi quem primeiro enrolou a população ao induzi-la ao endividamento” através da inflação e dos juros altos.
Custo Brasil e atração de investimentos na indústria
O presidente da Fiems, Sérgio Longen, manifestou preocupação com propostas como a redução da jornada sem redução de salário, que estima um custo de R$ 127 bilhões anuais.
Longen alertou para a perda de competitividade frente a produtos internacionais.
“O indicador não é muito favorável e no papel da padaria qualquer um já sabe fazer a conta. É que a Selic é desse tamanho porque, se baixar, o governo tem que sacar o dinheiro e não tem. Então, vamos aumentando e vamos rolando a conta. E quem tá pagando? O investimento brasileiro, não temos mais investimento brasileiro. A competitividade brasileira está se acabando, na indústria principalmente.”
O economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende, apontou que Mato Grosso do Sul tem dobrado o PIB a cada seis ou sete anos.
“Mato Grosso do Sul apresenta avanço consistente do PIB. Quando a gente fala ali de ambiente amigável aos negócios e favorável ao desenvolvimento, o que a gente pode ter como principal síntese dessa sentença? Investimento. E em Mato Grosso do Sul, a gente tem hoje uma carteira privada de investimentos industriais superior a 115 bilhões de reais, no intervalo de 2023 até 2030.”
Agronegócio alerta para dependência da China e invasões de terra
O presidente da Famasul, Marcelo Bertoni, relembrou os tempos em que Caiado liderava a UDR e expôs gargalos como a infraestrutura rodoviária saturada e a necessidade de novos mercados para reduzir a dependência da Ásia.
“Nós vendemos 47,2% de tudo o que é produzido aqui dentro para eles. E não é reclamar, eu acho que a gente precisa de um governo, principalmente, que comece a abrir novos mercados para a gente conseguir popularizar isso e não ficar refém na mão de um só comprador com esse volume imenso aqui do Estado. Nas nossas demandas, precisamos viver em harmonia e conseguir ter previsibilidade, segurança jurídica e paz no campo.”
Ronaldo Caiado encerra sua agenda no município de Dourados, onde visitará a Expoagro e participará de um leilão de pecuária.