O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), finalizou, na sexta-feira (15), uma série de compromissos políticos em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
Após encontros com lideranças religiosas e debates com o setor industrial, o presidenciável Caiado afastou qualquer dúvida sobre sua participação na disputa pelo Palácio do Planalto em 2026.
“Chance zero. Não desisto”, enfatizou o político durante uma coletiva de imprensa após o fórum empresarial na Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems).
A visita de Caiado a Campo Grande visou fortalecer sua imagem no Centro-Oeste e demonstrar sua “autoridade moral” e capacidade administrativa.
Durante o dia, o pré-candidato procurou se comunicar com influenciadores de diversas áreas da sociedade civil.
Retórica focada na base evangélica e preocupação com apostas online
A agenda do candidato começou no Slaviero Prime Hotel, com um encontro com pastores chamado “Diálogo com as Lideranças Evangélicas”. No evento, Caiado buscou convergência com o eleitorado conservador, abordando a defesa dos valores familiares e o combate às drogas.
Um ponto importante do debate foi a expansão do vício em apostas online e jogos de azar, classificado por Caiado como uma “praga no Brasil” que prejudica as finanças das famílias e afeta os jovens.
Caiado recordou sua relação com o segmento religioso e destacou a relevância de pautas sobre espiritualidade e o fortalecimento da família como alicerces da sociedade.
Diálogo na Fiems: ‘Saber governar é a melhor defesa contra o PT’
À noite, o debate sobre economia e infraestrutura nacional ocorreu na Fiems. Perante empresários, comerciantes e produtores, Caiado criticou o crescimento das facções criminosas no país e defendeu que o combate ao crime e o investimento em tecnologia são fundamentais para o desenvolvimento.
“Ganhamos em 2018, perdemos em 2022. O prejuízo de se perder uma eleição para o PT é enorme, com a deterioração das contas públicas e o investimento no populismo. Qual a chance do PT em Goiás? Nenhuma nos próximos 100 anos. Porque a maior defesa contra o PT é saber governar.”
O pré-candidato utilizou a experiência de seu governo em Goiás em inteligência artificial para questionar as políticas do governo federal.
Segundo Caiado, o governo atual age de forma “populista e destrutiva”, citando a taxação de compras internacionais e o programa Desenrola como exemplos.
Caiado também defendeu uma postura desenvolvimentista para o Brasil enfrentar a concorrência global, prometendo acelerar a exploração de recursos estratégicos no país.
“Você acha que eu, presidente, não vou explorar a margem equatorial no mesmo dia? No mesmo dia. Você acha que com o potássio e o fósforo eu não vou explorar as minas do Brasil no mesmo dia? Isso se chama segurança alimentar, é segurança do povo.”
O ‘Ponto de Concórdia’ e o desafio do desconhecimento
Na coletiva de imprensa, Caiado detalhou sua estratégia eleitoral e descartou a possibilidade de desistir da candidatura, apontando o desconhecimento como seu maior obstáculo.
“O maior desafio que eu tenho hoje na minha campanha é a falta de conhecimento. Eu sou desconhecido por 53% da população brasileira. Então, eu tenho que, mais do que nunca, poder participar com vocês em debates, em entrevistas, em eventos como esse, para que amanhã as pessoas saibam o que o Caiado pensa.”
Sobre as crises no bolsonarismo, Caiado afirmou que denúncias pessoais devem ser respondidas individualmente, sem afetar as instituições ou a oposição.
Para o segundo turno, Caiado propôs um “ponto de concórdia” na centro-direita para garantir a vitória.
“É construir um ponto de concórdia. O ponto de concórdia é aquele em que talvez você tenha um candidato de preferência, mas se ele não foi para o segundo turno, você vota naquele que tem uma convergência. O foco principal não pode dispersar. Essa ideia tem que ganhar intensidade para no segundo turno aí sermos vitoriosos.”
Neste sábado (16), Ronaldo Caiado encerra sua agenda em Mato Grosso do Sul em Dourados, visitando a Expoagro e participando de leilões pecuários.